
por Kleber Carrilho
Publicado em 18/01/2025, às 08h49
A polêmica envolvendo o deputado Nikolas Ferreira e o governo Lula sobre o monitoramento e possíveis cobranças de taxas em transações via Pix expõe, mais uma vez, um problema recorrente: a falta de competência na comunicação do governo federal. Esse episódio rapidamente ganhou força nas redes sociais, compartilhado e alimentado por figuras públicas da oposição.
O Pix, uma ferramenta criada durante o governo Bolsonaro e amplamente adotada pelos brasileiros, é um símbolo de modernização do sistema financeiro. A popularidade é evidente, e qualquer menção a mudanças poderia gerar grande repercussão. O problema começou quando Nikolas Ferreira usou a transformação da fiscalização da Receita Federal, para atacar o governo, insinuando que Lula estava atacando quem trabalha honestamente.
A confusão era facilmente evitável: o Banco Central é uma instituição independente, e as taxas cobradas por bancos privados, que até poderiam acontecer, não têm qualquer relação com o governo. No entanto, o estrago já estava feito. O episódio se espalhou rapidamente, criando desinformação e uma onda de indignação que exigiu do governo uma resposta ágil para esclarecer os fatos. O que não aconteceu. Muito tempo depois, para os padrões da comunicação digital, veio a resposta do governo: a portaria foi anulada.
Então, o que era fake news não era tão fake assim? Então, além da falta de uma comunicação clara, coesa e eficiente, o governo Lula errou também porque tentou buscar receitas na população que garante o baixo índice de desempregos. Isso porque o mercado informal, que ficou preocupado com o acompanhamento às transações, é quem garante que o número de desempregados esteja próximo ao mínimo histórico.
Em vez de buscar a taxação das classes mais altas ou encerrar alguns benefícios para setores econômicos que deixam de pagar bilhões em impostos, mexer com o vendedor de cachorro quente e a diarista que subemprega as mulheres da família foi um erro terrível.
Mas, voltando à comunicação, em tempos de redes sociais, a batalha da narrativa é travada em tempo real. Enquanto a oposição mobiliza suas bases com rapidez e usa estratégias já testadas desde 2018 para espalhar suas mensagens, o governo frequentemente demora a reagir.
A situação é ainda mais grave pela falta de coordenação na comunicação oficial. Ministérios e instituições como o Banco Central parecem operar em feudos, sem uma estratégia integrada para lidar com crises de desinformação. Isso dá margem para que episódios como o do Pix ganhem proporções desnecessárias, minando a credibilidade do governo e dificultando o diálogo com a sociedade.
A solução para esses problemas não é simplesmente responder reativamente a cada ataque. O governo Lula precisa desenvolver uma comunicação proativa, que antecipe possíveis polêmicas e estabeleça narrativas claras antes que desinformações ganhem tração. Além disso, é crucial que a comunicação oficial seja acessível, direta e capaz de dialogar com diferentes públicos.
Com uma nova equipe na Secom, liderada pelo publicitário Sidônio Palmeira, este é o momento do governo mostrar que sabe se adaptar. Ou vai chegar a 2026 ainda mais refém do Congresso e sem a mínima capacidade de conversar com os eleitores.
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