
por Kleber Carrilho
Publicado em 19/08/2023, às 07h07
Enfim, com as informações sobre tentativas de desvios de presentes oficiais, vendas ilegais nos EUA e movimentações na conta dos amigos (e de outros que não estão se mostrando tão amigos assim), fica mais claro para todos como é o projeto familiar que Jair Bolsonaro lidera.
Para quem ainda achava que havia política nessa história, está evidente que não há. Como já era observado por quem conhecia a carreira do ex-capitão, a ideia de colocar todos os filhos dentro do esquema tinha uma só intenção: ganhar dinheiro, o máximo possível.
E agora também fica nítido que a ideia de chegar à Presidência da República nunca foi cogitada na estratégia, mas pareceu uma oportunidade de acelerar os ganhos quando o vazio democrático tomou conta do país durante a Lava Jato.
Portanto, um personagem sem ideia do que é poder político foi escolhido para ser o representante daquele momento na onda da antipolítica, que visava desconstruir as instituições, em um projeto (este sim) extremamente competente, de alguns líderes latentes que nunca se afastaram do poder.
Agora, o projeto político real que usou Bolsonaro como personagem já está adaptado ao novo cenário, inclusive indicando ministros e ganhando emendas, enquanto o entorno do ex-presidente (composto por poucos que restaram) tenta entender o que fazer para livrar os anéis, porque nunca se preocuparam com os dedos.
Você deve estar se perguntando onde estão, dentro disso tudo, as Forças Armadas. E deixei isso para o final porque, pior ainda do que Bolsonaro, que sabemos da limitação intelectual, as lideranças fardadas se deixaram usar para conseguir nomeações, salários mais altos e acesso ao Palácio.
Portanto, pode ser que alguns sejam presos, outros percam alguns dos bens amealhados, mas ninguém perdeu mais do que o país, ao ter as instituições em risco e atrasar em pelo menos uma década um projeto de construção democrática.
Aos apaixonados por Bolsonaro, fica a lição de que projetar em personagens os ressentimentos nunca resolve nada. Aos que acham que agora tudo vai ficar bem porque Bolsonaro terá o esquema desmantelado e será condenado, vale pensar que os democratas foram responsáveis pelo vazio que deu oportunidade a ele.
Isso porque, mesmo com a ajuda de gente poderosa, ele só chegou lá porque governos anteriores deixaram de entregar o que era necessário e o que foi prometido, inclusive optando por não agir contra problemas sociais graves que ainda permanecem.
Vejamos quem está tomando nota de tudo isso e fazendo o planejamento político para as próximas décadas. Porque isso é necessário, senão continuaremos com o risco de novos Bolsonaros aparecerem.
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