
por Kleber Carrilho
Publicado em 13/07/2024, às 06h00
Algumas pesquisas divulgadas nesta semana, com destaque para a feita pela Quaest, mostram que o presidente Lula está recuperando a popularidade, com maiores índices de aprovação da sua imagem e do governo. Uma notícia como essa a poucos meses das eleições municipais não poderia ser mais interessante para os pré-candidatos a prefeito que precisam da imagem dele para pensar em sucesso nas urnas.
O que é interessante também é que, quando perguntados sobre a briga pública de Lula com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os entrevistados mostram que estão ao lado do presidente da República, em um movimento claro de utilização de um personagem real, com uma caneta e uma cadeira, para ser o inimigo público e o agente que impede o sucesso do governo.
Como a gente sabe que não tem bobo na Secretaria de Comunicação da Presidência, fica claro que o planejamento feito há algum tempo está dando resultado. A imagem do presidente é vista como principal porta-voz do próprio governo, com posicionamento às vezes contrário até mesmo aos seus ministros, mostrando que é o povo no poder, o que funciona em qualquer contexto em que o populismo dá as cartas, como no Brasil.
O que facilita o processo todo, que não estou dizendo que é fácil, é que o principal personagem que poderia fazer frente a Lula está há quase dois anos sem poder, caindo em um lento esquecimento como agente político, mas mantendo uma aura de mito de uma utopia que, se é sonho alcançável para alguns, para outros já está se tornando tão distante que perde referência de comparação. Ou seja, Lula está se beneficiando também do pensamento de que “nem está tão ruim assim”.
É claro que isso não seria suficiente para outros líderes políticos, mas funciona para Lula. Mesmo chegando aos 80 anos, o presidente consegue ainda ter a capacidade de dizer o que as pessoas querem ouvir, inclusive ao usar uma adaptação tupiniquim da responsabilização individual que ficou clássica com Kennedy. Se algo está errado, pergunte o que você tem feito para contribuir com o erro. Se Lula está errado, isso quer dizer que o povo está errado, porque Lula é o povo na Presidência.
Se o movimento de recuperação se mantiver até a eleição de outubro, a tendência é que os candidatos de Lula tenham benefícios, mas isso não resolve tudo. A não ser nas grandes cidades, em que a polarização vai dar as cartas, a realidade local vai ser muito mais influente em quase todo o país.
Cabe à direita entender que ter um ex-presidente mitológico não resolve, e é fundamental ter um personagem com poder para encarar Lula com capacidade de propor ideias e mostrar serviço. Senão, nem agora, nem em 2026, haverá opção viável para substituir o petista na liderança do país.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Fies: estudantes com parcelas em dia terão mais tempo para quitar financiamento

Polícia investiga festa com fuzis em Vigário Geral e suspeita de presença de Peixão

Mulher é encontrada morta em estacionamento de UBS na Zona Sul de São Paulo

Apenas 5% das ações contra políticos no STF terminam em condenação

CPTM amplia pagamento de bilhetes via Pix para todas as estações do sistema