Guigo Kieras foi espancado pela PM durante o Carnaval e acredita ter sido por homofobia

Vitória Tedeschi Publicado em 23/06/2023, às 16h20
Junho é conhecido como o mês do orgulho LGBTQIA+, um momento importante para a discussão de temas relevantes para esse grupo. Apesar do avanço, grande parte das pessoas que fazem parte da comunidade ainda enfrentam dificuldade em serem ouvidas e realmente aceitas pela sociedade.
É o que defende o influenciador e escritor do livro "Bicha, Para!" Guigo Kieras, que trata de temas relacionados ao autoconhecimento e aceitação sobre a sexualidade. Como um exemplo disso, ele cita que ainda existe uma grande marginalização da comunidade trans fazendo com que existam poucas figuras de visibilidade.
As primeiras figuras trans a ganharem visibilidade recentemente no Brasil são muito poucas, a primeira foi a Roberta Close décadas atrás e depois disso houve um hiato gigantesco. Hoje, representantes trans têm ganhado notoriedade, mas a passos curtos. É preciso maior abordagem midiática da população trans, dos queers, pessoas não binárias, intersexuais e assexuais. Somos seres plurais, todas as bandeiras importam", enfatiza.
Guigo ganhou grande relevância nas redes sociais em 2019 quando, durante o Carnaval, foi espancado por policiais no arredores do bairro Barra Funda, em São Paulo, no que acredita te sido um episódio de homofobia.
Ele conta que esta no bloco "Largadinho" quando uma forte chuva caiu e o público se dispersou rapidamente para se proteger da tempestade, foi quando ele e um amigo resolveram se proteger na marquise de uma churrascaria, onde também havia um grupo de polícias militares.
Os dois foram informados que não podiam ficar ali e seguiram para debaixo de uma árvore. Os PMs disseram que os dois também não poderiam ficar no local e quando Guigo resolveu questionar o motivo, as agressões começaram sem nenhuma explicação.
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Relatos como o de Guigo no Instagram tem um potencial enorme, isso porque as redes sociais têm se mostrado cada vez mais uma das melhores ferramentas para dar espaço e voz para essa comunidade. A fácil disseminação de conteúdos com temas relacionados ao público LGBTQIA+ levantam questões importantes que atingem muito além do que apenas o grupo em si.
Existe uma responsabilidade social embutida a quem produz conteúdo para a comunidade, o que nós disseminamos como conteúdo é visto por milhares, milhões de pessoas todos os dias. Nosso papel além do entretenimento é de informar e desconstruir, promover através do conteúdo um mundo mais diverso, inclusivo e saudável para todos", explica Guigo.
De acordo a 'Mental Health Foundation', instituição de promoção à saúde mental do Reino Unido, os LGBTQIA+ estão mais suscetíveis a problemas como depressão e ansiedade do que heterossexuais por conta das desigualdades, desvantagens sociais e discriminação.
A LGBTFobia, que é o termo usado para referir-se aos atos de ódio e hostilização à comunidade, ainda é muito frequente. Segundo levantamento do Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTIA+ no Brasil, feito pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTIA+, O Brasil assassinou um LGBT a cada 32 horas em 2022.
Esses números mostram a importância de um suporte médico, principalmente pensando no desenvolvimento de problemas relacionados à saúde mental. Após ser agredido pela polícia, Guigo Kieras desenvolveu ansiedade e depressão e, a partir daí, criou um manual de: "O que fazer em casos de homofobia?".
Se sentir impotente, discriminado, minimizado pela sociedade são gatilhos terríveis que afetam a comunidade com depressão, síndrome do pânico, ansiedade. O segredo é se manter sempre informado de como agir nesses casos. Fazer terapia também salva vidas, pois muda a visão de mundo. Ela é essencial para todo ser humano, principalmente para a população mais vulnerável, como a comunidade LGBTQIA+", finaliza.
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