Artista baiana integrou o movimento tropicalista e teve papel importante no confronto com o poder militar

Manoela Cardozo Publicado em 09/11/2022, às 13h08
Maria da Graça Costa Penna Burgos, mais conhecida como Gal Costa, marcou a história da música brasileira como uma grande intérprete e tornou-se uma das maiores artistas do país.

Reinventando as mais variadas canções, Gal dava personalidade a cada uma das músicas que se propunha a cantar e o fazia com maestria.
A estrela baiana despontou com o movimento tropicalista, ao lado de outros artistas importantes, como Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil — com os quais formou o grupo 'Doces Bárbaros'.

O primeiro álbum solo de Gal Costa foi lançado em 1969, depois de ter sido segurado pela gravadora em razão da perseguição dos militares à cantores da época. Naquele tempo, a cantora deixou uma marca sem igual na música e no cenário cultural nacional.
Acontece que, em 1971, Gal realizou um dos shows mais impactantes de sua carreira, no Teatro Tereza Rachel, em Copacabana. Com apenas 26 anos, ela desafiou a ditadura militar e foi considerada o 'terror do AI-5', tornando-se uma grande musa e companheira de luta até os dias atuais.
Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo quando seu álbum 'Fa-Tal - Gal a Todo Vapor' completou 50 anos, Gal Costa, que assumiu o papel de porta-voz de muitos músicos durante o período de poder militar, explicou que cantava sobre o momento e as lutas que vivenciava:
"É um show que tem muita ligação com o momento que a gente vivia, com a partida dos tropicalistas, de Caetano e Gil. Tem muita referência a ele. E eu estava vivendo uma carreira que a censura não me censurou".
Gal Costa nunca teve medo de represálias e é muito conhecida por sua resistência às opressões.
Sua sutil agressividade ao cantar agradou e acalentou os corações de quem travou batalhas semelhantes, mas sua doçura foi além e alcançou as mais variadas gerações.
"Ele [o álbum] se tornou mítico. Até hoje as pessoas gostam e curtem, principalmente a galera mais nova. Cultuam esse disco", esclareceu.
A baiana já havia falado sobre a importância de levar vivências e experiências anteriores para as massas futuras através de suas músicas.
Em 2017, Gal contou à agência Lusa que se considerava uma cantora marcante e explicou: "Comecei influenciada pela Bossa Nova, mas eu ouvi toda a geração anterior a mim, pois cantei ainda antes de falar".
Já ano passado, Gal Costa lançou o álbum 'Nenhuma Dor' e voltou a relembrar o passado, mas em interpretações certeiras e afiadas do que se vive no presente. A genialidade da estrela será para sempre um marco na vida dos brasileiros.
O país perdeu hoje uma de suas vozes mais importantes, mas com a certeza de que Gal Costa jamais será esquecida, uma vez que suas canções nunca deixarão de fazer parte da história.

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