
Redação Publicado em 04/07/2022, às 00h00 - Atualizado às 17h59
Um caso vem chamando a atenção das pessoas nas redes sociais sobre uma mulher que habita uma casa abandonada no centro de São Paulo. Tanto que muitos internautas foram até o local para checar se a moradora misteriosa existe.
A história foi compartilhada pelo podcast “A Mulher da Casa Abandonada”, criado e apresentado pelo jornalista Chico Felitti para o jornal “Folha de São Paulo”.
De acordo com o programa, a protagonista do episódio se chama Margarida Bonetti, que vive em um antigo casarão mal preservado e caindo aos pedaços no bairro Higienópolis, um dos mais nobres da capital paulista.
O podcast descreve a mulher como um ponto de destaque em meio ao elegante distrito urbano, pois se veste mal, anda pelos ambientes com uma pomada branca cobrindo o rosto e vive em condições precárias. Além de se empenhar em salvar as árvores do bairro de podas e derrubadas por parte dos funcionários da Prefeitura, Margarida também tem o costume de jogar baldes e sacolas plásticas com excrementos pelas janelas, o que causa mau cheiro e incomoda os vizinhos.
No entanto, há um motivo para a senhora viver dessa maneira. Segundo Felitti, que investigou o caso e entrevistou a moradora do casarão, ela está foragida do FBI há mais de duas décadas, por ter mantido uma mulher em condições análogas a escravidão nos Estados Unidos.
O episódio “A Mulher” conta que o casal de brasileiros, Margarida e Renê Bonetti, decidiu iniciar uma vida nova nos EUA e levaram com eles a empregada doméstica. A funcionária, cuja identidade não foi revelada, era analfabeta e já trabalhava na casa dos pais de Margarida, que deram a mulher como “presente” ao casal na década de 1970.
Diante desta situação, os empregadores estabeleceram uma relação de domínio total sobre a funcionária, que não recebia pagamento pelo seu serviço, sem direito a folgas e férias e sendo vítima constante de agressões e humilhações.
Em um dos momentos em que foi espancada pelos patrões, a empregada sofreu lesões graves, tendo quebrado alguns ossos e fraturado outras partes do corpo. Mesmo assim, Margarida e Renê a impediram de buscar atendimento médico.
O pesadelo finalmente chegou ao fim quando a mulher aproveitou a viagem de férias dos patrões para fugir da casa onde era confinada. Ela pediu ajuda a uma vizinha, que a abrigou e denunciou o crime às autoridades. De acordo com o podcast, o episódio aconteceu no início dos anos 2000.
Mais tarde, o FBI assumiu a investigaçãodo caso. Como Renê era naturalizado como americano, foi indiciado pelas violações trabalhistas e torturas contra a doméstica e acabou condenado a seis anos de prisão. Já Margarida conseguiu fugir para o Brasil durante as investigações.
Se aproveitando da situação na qual o Brasil, por lei, não expatria seus cidadãos para serem julgados em outros países, a mulher nunca respondeu à Justiça americana e decidiu ficar reclusa na casa que era de seus pais em Higienópolis.
Devido à popularidade do podcast nas redes sociais, muitos paulistanos passaram a fazer turismo em volta da casa abandonada. Muitos deles tentaram encontrar pistas ou sinais da mulher que habita o local.
No entanto, além de olhos curiosos, a história apresentada pelo podcast chamou a atenção das autoridades e grupos protetores de animais, em virtude dos cachorros criados por Margarida e das condições precárias de sua residência que violam as normas sanitárias.
Neste fim de semana, o Instituto Luísa Mell entrou nos jardins da casa para resgatar as duas cachorras que eram mantidas pela proprietária. A iniciativa partiu de uma denúncia anônima de que os animais haviam sido abandonados, após a mulher supostamente ter fugido do local pela repercussão da reportagem.
De acordo com o UOL, o delegado Bruno Lima, que entrou na residência junto com profissionais do instituto, a Vigilância Sanitária e o Controle de Zoonoses, alegou que o local tem risco potencial para propagar doenças e bactérias perigosas.
“Falamos com vários vizinhos aqui do entorno, Isso aqui é um problema antigo do bairro. Isso é um celeiro de doenças, na verdade. É um problema de zoonose”.
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