Em 2025 foram vendidos 18,5 milhões de usados no país, maior marca da série histórica

Erika Osti Publicado em 23/01/2026, às 18h45
O mercado de automóveis usados no Brasil registrou em 2025 o maior volume de vendas da série histórica desde 2012, com 18,5 milhões de veículos comercializados no país, um avanço de 17,3% em relação ao ano anterior, de acordo com a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Esse desempenho impressionante contrasta com o desempenho mais modesto do segmento de carros zero-quilômetro, que teve aumento de apenas 2,1% em vendas internas, frustrando projeções mais otimistas da indústria automobilística.
Um dos fatores centrais desse boom de vendas de usados é o preço dos carros novos, que ficou fora do alcance da maior parte dos consumidores brasileiros no ano passado, enquanto os veículo de segunda mão se mantiveram relativamente mais acessíveis no mercado. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os carros novos ficaram, em média, 3,05% mais caros em 2025, enquanto os usados apresentaram queda média de 2,26% nos valores. Essa diferença de comportamento de preços ajudou a impulsionar a procura pelos usados.
Além do preço mais convidativo, a oferta de usados aumentou significativamente no ano passado, com cerca de 600 mil carros de locadoras retornando ao mercado após renovação de frotas que tinham sido afetadas pela escassez de veículos novos nos anos anteriores. Essa maior oferta, junto com condições de crédito mais favoráveis e um mercado de trabalho mais aquecido com níveis de desemprego em patamares baixos e renda crescente, colaborou para que mais brasileiros conseguissem financiar e adquirir um veículo usado.
Outro dado que chama atenção é a composição da frota vendida: veículos com mais de 13 anos responderam por 38% das vendas, seguidos por carros com 9 a 12 anos, o que mostra que grande parte da população está comprando modelos mais antigos por questões de preço e disponibilidade. Esse padrão tem implicações também para o meio ambiente, já que veículos mais velhos tendem a ser menos eficientes e mais poluentes.
Do ponto de vista econômico mais amplo, esse cenário pode ter efeitos mistos. A venda de veículos usados não contribui diretamente para a formação do Produto Interno Bruto (PIB), pois não envolve produção de novos bens. No entanto, a comercialização ativa de seminovos movimenta setores relacionados, como venda de peças, serviços de manutenção, seguros e financiamento, gerando atividade econômica relevante e emprego em diferentes elos da cadeia automotiva.
Especialistas também ressaltam que a demanda robusta por usados pode refletir uma adaptação dos consumidores à realidade econômica, optando por alternativas mais acessíveis diante de altas nos preços e custos de manutenção dos carros novos. Se essa tendência se mantiver em 2026, a expectativa é que o mercado de usados continue forte, mesmo com as montadoras buscando estimular a venda de veículos novos em meio a condições financeiras ainda desafiadoras para muitos brasileiros.
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