Resultado marca segundo avanço seguido no ano, com destaque para setor automotivo e derivados do petróleo

Letícia Sales Publicado em 02/04/2026, às 11h18
A produção industrial brasileira avançou 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, registrando o segundo crescimento consecutivo em 2026. Com o resultado, o setor acumula alta de 3% no ano, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quinta-feira (2).
Apesar do desempenho positivo recente, a indústria ainda enfrenta desafios estruturais. O nível de produção está 3,2% acima do registrado no período pré-pandemia, em fevereiro de 2020, mas permanece 14,1% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o avanço reflete um movimento de recuperação após perdas no fim de 2025. “Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, explica.
O crescimento foi disseminado, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 ramos industriais analisados. Entre os destaques positivos, estão os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 6,6%, e o de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 2,5%.
“Nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico”, detalha Macedo. O segmento automotivo, por exemplo, acumula expansão de 14,1% nos dois primeiros meses do ano, recuperando a queda observada no fim de 2025.
Por outro lado, alguns ramos registraram desempenho negativo no período. A principal queda foi observada na produção de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que recuou 5,5%, aprofundando a retração já registrada em janeiro.
Segundo o IBGE, o resultado reflete, em parte, uma base de comparação elevada. “Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação”, explica o pesquisador.
Outros setores que também apresentaram retração foram os de produtos químicos (-1,3%) e metalurgia (-1,7%).
Mesmo com oscilações pontuais, o cenário geral indica uma retomada gradual da atividade industrial, impulsionada por diferentes segmentos e pela recomposição de estoques, após um período de desaceleração no final do ano passado.
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