Em comparação com o ano passado, as importações, o consumo aparente e as vendas internas aumentaram 24,4%, 9,6% e 8,7%

William Oliveira Publicado em 17/12/2024, às 08h45
De janeiro a novembro deste ano, a produção de aço bruto no Brasil alcançou 31,1 milhões de toneladas, superando em 5,6% o resultado do mesmo período de 2023.
Em comparação com o ano passado, as importações, o consumo aparente e as vendas internas aumentaram 24,4%, 9,6% e 8,7%, respectivamente, segundo o Instituto Aço Brasil, que divulgou o balanço na segunda-feira (16). A estimativa é que, com a inclusão de dezembro, a produção totalize 33,7 milhões de toneladas até o fim de 2024. No entanto, as exportações foram o único indicador negativo, somando 8,8 milhões de toneladas, uma queda de 18,5% em relação a 2023.
O instituto destacou que os três principais setores dependentes de aço contribuíram para o desempenho positivo: o setor automotivo registrou um aumento de 12,1%, enquanto os segmentos de máquinas e equipamentos e construção civil cresceram 1% e 4,1%, respectivamente.
Em relação à China, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello, mencionou dados históricos que mostram o aumento significativo do consumo de aço no país asiático, com uma variação de 1.863% nos últimos 43 anos. Para Mello, a China está praticando uma atividade "predatória" ao dominar as exportações globais.
O executivo também abordou a transição energética, com ênfase na COP29 realizada em Baku, no Azerbaijão. Ele ressaltou que as indústrias de aço e ferro são responsáveis por apenas 4% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, uma porcentagem que globalmente é de 7%. Mello pediu que outros setores da economia, como o agronegócio, que responde por 32% das emissões, e o setor energético, com 24%, sejam igualmente cobrados de acordo com sua contribuição.
Além disso, Mello destacou a importância de definir metas realistas e alcançar objetivos factíveis. Como exemplo, citou os Estados Unidos, que, após um crescimento significativo na produção de automóveis, usaram as unidades como sucata, o que contribui para a transição energética.
Por fim, o executivo sugeriu que a utilização do hidrogênio como substituto no processo de descarbonização do aço exigiria uma postura "menos monopolista" por parte da Petrobras. Para que a indústria de aço possa fazer a transição para energia limpa, ele afirmou que seriam necessários investimentos de R$ 180 bilhões.
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