As ações da Embraer caíram 6,88% após o anúncio das tarifas, refletindo preocupações do mercado sobre a situação

por Marina Milani
Publicado em 10/07/2025, às 16h36
A Embraer, renomada fabricante brasileira de aeronaves, anunciou que está atualmente revisando os efeitos da nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A companhia realizará uma conferência interna no início de agosto para discutir este assunto crucial.
O novo imposto foi revelado na quarta-feira (9) e começará a ser aplicado a partir do dia 1º de agosto. A medida levanta preocupações significativas sobre como afetará as exportações da Embraer para o mercado norte-americano.
Em um comunicado enviado ao portal g1, a empresa, com sede em São José dos Campos (SP), enfatizou a necessidade de avaliar os potenciais impactos do aumento das tarifas sobre suas operações. O CEO da Embraer destacou que a situação será discutida detalhadamente durante a conferência de resultados do segundo trimestre, marcada para o dia 5 de agosto.
“Estamos trabalhando em colaboração com as autoridades competentes para restabelecer a alíquota zero dos impostos de importação aplicáveis ao setor aeronáutico”, afirmou a empresa em sua declaração.
Atualmente, a Embraer possui 181 aviões comerciais encomendados por diversas companhias aéreas nos Estados Unidos, incluindo American Airlines e SkyWest. Além disso, recentemente firmou um contrato para a entrega de 60 aeronaves à SkyWest, no valor estimado de US$ 3,6 bilhões durante o Paris Air Show.
As ações da Embraer enfrentaram uma queda significativa na bolsa de valores após o anúncio das novas tarifas. Por volta das 11h15 desta quinta-feira (10), as ações ordinárias (EMBR3) estavam cotadas a R$ 72,75, refletindo uma desvalorização de 6,88%. Essa tendência negativa nas ações é um indicativo das apreensões do mercado quanto às possíveis repercussões de uma guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Um relatório da XP Investimentos sublinha que a Embraer é uma das empresas mais vulneráveis à nova política tarifária, com aproximadamente 24% de sua receita proveniente do mercado americano. As análises indicam um risco potencial de queda nos lucros entre 14% e 15%, já que muitos componentes são produzidos no Brasil e a montagem final ocorre na Flórida. A nova tarifa poderá aumentar significativamente os custos operacionais da empresa.
Atualmente, a taxa de exportação é fixada em 10%, representando um custo aproximado de US$ 360 milhões. Com o novo imposto previsto para entrar em vigor em agosto, este valor pode saltar para US$ 1,8 bilhão — um aumento alarmante de 400%.
A economista Lucy Aparecida de Sousa, do Conselho Regional de Economia, expressou que ainda é prematuro prever as consequências totais dessa situação; no entanto, destacou que o setor já demonstra sinais de reação. "Embora seja cedo para avaliar o impacto real, é possível que haja atrasos nas próximas encomendas enquanto as negociações estão em andamento", comentou Sousa.
A comunidade empresarial aguarda com expectativa os desdobramentos dessa questão crítica e suas implicações para o futuro da Embraer e da indústria aeronáutica brasileira.
Leia também

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Detran-SP registra quase 500 mil multas por atraso na transferência de veículos

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio

Hapvida amplia uso de energia renovável, avança em diversidade e consolida IA na assistência, mostra Relatório de Sustentabilidade

Caminhoneiros iniciam paralisação para pressionar Senado por votação da MP do Frete

Polícia investiga festa com fuzis que celebrou 19 anos do TCP no Complexo de Israel