Revisão do FMI eleva projeção de crescimento para 2026 e indica cenário mais favorável apesar das tensões internacionais

Erika Osti Publicado em 15/04/2026, às 14h52
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, elevando a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para 1,9%. A atualização foi divulgada no relatório Perspectiva Econômica Mundial e foi celebrada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que destacou o desempenho do país em meio a um cenário internacional mais instável.
A nova projeção surge em um contexto de desaceleração global. O próprio FMI reduziu a expectativa de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre preços de energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados. Ainda assim, o Brasil aparece entre os poucos países que tiveram melhora nas perspectivas.
Segundo o fundo, o desempenho mais favorável da economia brasileira está diretamente ligado ao perfil do país como exportador de commodities, especialmente petróleo. A alta nos preços da energia, impulsionada pelo conflito internacional, deve gerar um efeito positivo moderado sobre o crescimento brasileiro, estimado em cerca de 0,2 ponto percentual.
Ao comentar a revisão, o ministro da Fazenda afirmou que o resultado mostra a capacidade do Brasil de crescer com estabilidade, mesmo diante de tensões geopolíticas. Ele ressaltou que diversas economias tiveram suas projeções reduzidas, enquanto o país seguiu na direção oposta.
O relatório também indica que o Brasil tende a ser menos impactado do que outras regiões, como Europa, Ásia e África, mais dependentes da importação de energia. Esse cenário ajuda a explicar a melhora relativa nas expectativas para o país, embora o crescimento ainda seja considerado moderado.
Além da revisão positiva para 2026, o FMI projeta que o Brasil poderá voltar ao grupo das dez maiores economias do mundo caso as estimativas se confirmem. A expectativa é que o PIB brasileiro alcance cerca de 2,64 trilhões de dólares, superando o Canadá, que atualmente ocupa essa posição.
Apesar do cenário mais favorável no curto prazo, o fundo alerta para riscos à frente. Para 2027, a previsão de crescimento do Brasil foi reduzida para 2%, refletindo uma possível desaceleração global, custos mais elevados de insumos e condições financeiras mais restritivas. O relatório também destaca que a inflação global pode subir caso o conflito se intensifique, o que exigiria respostas mais duras de bancos centrais.
Mesmo com essas incertezas, o FMI avalia que o Brasil conta com fatores que ajudam a enfrentar choques externos, como reservas internacionais robustas, menor dependência de dívida em moeda estrangeira e câmbio flexível.
Em meio às tensões geopolíticas globais, o Brasil mostra que é possível crescer com estabilidade e estratégia.
— Dario Durigan (@DarioDurigan) April 15, 2026
O Fundo Monetário Internacional reduziu as projeções de crescimento para diversas economias afetadas pelo cenário de guerra.
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