O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,48% em abril

Gabriela Thier Publicado em 09/05/2025, às 14h34
A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma variação de 0,43% em abril. Este resultado reflete uma pressão significativa nos preços dos alimentos e produtos farmacêuticos. A inflação apresenta um quadro de desaceleração pela segunda vez consecutiva, após os índices de 1,31% em fevereiro e 0,56% em março.
Esse percentual representa o maior aumento para um mês de abril desde 2023, quando o índice foi de 0,61%. Em comparação com abril de 2024, que teve uma inflação de 0,38%, observa-se um leve crescimento.
No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA atinge 5,53%, sendo este o maior resultado desde fevereiro de 2023 (5,6%) e superando a meta estipulada pelo governo. O dado mais recente, referente a março, era de 5,48%. As diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) indicam que a meta de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, configurando um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Desde janeiro de 2025, se a inflação permanecer fora desse intervalo por seis meses consecutivos, será considerada como descumprida.
Pressões Inflacionárias e Setores Impactados
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que entre os nove grupos analisados, oito apresentaram alta nos preços. Os setores que mais contribuíram para essa inflação foram os de alimentos e saúde, juntos responsáveis por 0,34 ponto percentual do IPCA. Embora alimentos e bebidas tenham registrado o maior impacto sobre a inflação em abril, houve uma desaceleração em relação ao mês anterior, quando a alta foi de 1,17%.
Dentre os produtos alimentícios que mais elevaram os preços estão: o café com um impressionante aumento acumulado de 80,2% em doze meses - a maior variação desde o início do Plano Real em julho de 1994. Em contraste, o arroz teve uma queda de 4,19%, ajudando a mitigar a alta geral. O preço do ovo também apresentou recuo em abril (-1,29%), após ter registrado uma alta significativa nos meses anteriores.
Em relação ao setor saúde e cuidados pessoais, os produtos farmacêuticos tiveram um aumento expressivo de 2,32%, impulsionado por reajustes autorizados pelo governo nos medicamentos desde o final de março.
Desempenho dos Transportes e Influência no IPCA
O grupo dos transportes foi a única categoria a apresentar queda nos preços (-0,38%), principalmente devido à diminuição das tarifas aéreas (-14,15%). Essa redução teve um impacto negativo significativo no IPCA de abril. Os combustíveis também colaboraram para essa tendência de queda com um recuo médio de 0,45%. Fernando Gonçalves observou que houve redução no preço do óleo diesel nas refinarias e que o etanol se beneficiou da melhora na safra.
Taxas de Juros e Expectativas Futuras
O IBGE fez uma separação entre itens controlados e serviços para analisar melhor a inflação. O segmento relacionado a serviços viu sua taxa desacelerar para 0,20% em abril, enquanto os preços monitorados subiram para 0,35%. Este comportamento é fundamental para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na formulação da Selic – atualmente fixada em 14,75% ao mês. A estratégia é controlar a inflação elevando as taxas de juros para desestimular o consumo.
Gonçalves comentou que a desaceleração nos serviços se deve à queda nas passagens aéreas e que a aceleração dos preços monitorados está ligada ao aumento nos produtos farmacêuticos. Por fim, notou-se uma leve queda na energia elétrica residencial (-0,08%) devido à redução tributária aplicada em algumas regiões.
INPC
Além disso, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve um aumento de 0,48% em abril. A diferença entre os dois índices é significativa; enquanto o INPC foca nas famílias com renda até cinco salários mínimos, o IPCA abrange aquelas com rendimento até quarenta salários mínimos. O atual salário mínimo é estabelecido em R$1.518.
No cálculo do INPC, os alimentos possuem uma ponderação maior (25%) do que no IPCA (21,86%), refletindo assim os hábitos de consumo das famílias com menor renda. Esse índice é crucial pois seu acumulado ao longo do ano é frequentemente utilizado como referência para reajustes salariais em diversas categorias profissionais no Brasil.
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