Deflação foi influenciada pelo atacado, enquanto contratos atrelados ao IPCA podem manter aumentos

Gabriela Nogueira Publicado em 29/12/2025, às 10h08
O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), um dos principais termômetros da inflação no Brasil e referência para reajustes de aluguéis e contratos de serviços, fechou 2025 em terreno negativo. Dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que o IGP-M recuou 0,01% em dezembro, após registrar alta no mês anterior. No acumulado do ano, o índice apresentou deflação de 1,05%.
O resultado reflete um cenário de menor pressão inflacionária ao longo de 2025, marcado pela desaceleração da economia global e por um ambiente de incertezas que limitou o repasse de custos ao longo da cadeia produtiva. Esse contexto teve impacto direto nos preços ao produtor, principal componente do indicador.
A contribuição mais relevante para a queda do IGP-M veio do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, responsável por 60% do cálculo, recuou 0,12% em dezembro, revertendo a alta observada em novembro. No fechamento do ano, os preços ao produtor acumularam queda de 3,35%.
Dentro desse grupo, as matérias-primas brutas voltaram a ficar mais baratas, com recuo de 0,30% no último mês do ano. Os bens intermediários também registraram retração, enquanto os bens finais tiveram leve alta de 0,07%, abaixo do ritmo observado anteriormente. A melhora das safras agrícolas ao longo do ano ajudou a reduzir os custos de insumos e contribuiu para esse movimento.
No varejo, o comportamento foi diferente. O Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,24% em dezembro, em desaceleração frente a novembro. Mesmo com a deflação do IGP-M no acumulado do ano, os preços ao consumidor mantiveram trajetória de alta moderada em 2025, puxados principalmente por serviços e despesas ligadas à habitação.
Entre as classes do IPC, cinco apresentaram desaceleração ou queda no último mês do ano, como saúde e cuidados pessoais, despesas diversas, vestuário, alimentação e comunicação. Em sentido oposto, habitação, educação, recreação e transportes aceleraram.
Outro componente do índice, o Índice Nacional de Custo da Construção, subiu 0,21% em dezembro, abaixo dos 0,28% registrados em novembro. No acumulado de 12 meses, o INCC avançou 6,01%, evidenciando pressões persistentes no setor. Enquanto os custos com materiais e equipamentos recuaram, as despesas com serviços e mão de obra aumentaram, influenciadas por reajustes salariais e elevação de custos operacionais.
Apesar do resultado negativo do IGP-M em 2025, o impacto direto nos aluguéis tende a variar. Contratos atrelados ao índice costumam prever reajustes anuais com base na variação acumulada em 12 meses, o que pode resultar em aumentos menores ou até redução dos valores, desde que essa possibilidade esteja prevista. Ainda assim, muitos contratos mais recentes passaram a adotar o IPCA como indexador, além de considerar fatores como oferta, demanda e negociação entre as partes, o que ajuda a explicar a manutenção da alta dos aluguéis em diversas regiões.
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