Entenda os fatores que impactam o mercado financeiro

Gabriela Thier Publicado em 23/01/2025, às 19h22
Nesta quinta-feira (23), a cotação do dólarapresentou uma retração de 0,36%, encerrando o dia a R$5,925. Este valor representa a continuidade da moeda norte-americana abaixo da marca de R$6, um cenário que se mantém por dois dias consecutivos. O último patamar semelhante foi registrado em 27 de novembro do ano anterior, quando a moeda foi cotada a R$5,913, coincidente com o início da crise cambial desencadeada por um duplo anúncio do Ministério da Fazenda.
No contexto daquela crise, o mercado financeiro estava atento à expectativa de um pacote de cortes de gastos elaborado pela equipe econômica do governo, o qual foi posteriormente reduzido no Congresso para o final de 2024. Além disso, uma proposta de reforma do Imposto de Renda também surpreendeu investidores ao sugerir isenção para salários até R$5.000.
Após este episódio, o dólar experimentou uma ascensão significativa, atingindo um pico histórico de R$6,267. Entretanto, desde o início deste ano, a moeda tem demonstrado uma tendência de desvalorização. No dia anterior (22), o dólar havia caído abaixo da importante barreira psicológica dos R$6 pela primeira vez desde dezembro, alcançando um mínimo de R$5,874 durante as negociações.
As movimentações nos mercados financeiros também são influenciadas pela atual agenda fiscal do Brasil, que está sendo afetada pelo recesso parlamentar no Congresso Nacional. Ademais, as expectativas em relação ao segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm gerado inquietações no mercado. O principal temor reside nas possíveis repercussões das tarifas comerciais sobre a economia norte-americana. A elevação dessas tarifas pode gerar pressão inflacionária e complicar as ações do Federal Reserve (Fed) no controle da inflação, mantendo as taxas de juros em patamares elevados. Juros altos tendem a tornar o dólar mais atrativo devido ao aumento dos rendimentos dos títulos emitidos pelos EUA.
Em sua participação virtual no Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump destacou a importância da meritocracia e prometeu posicionar os Estados Unidos como líder global em inteligência artificial e criptomoedas. O presidente também se comprometeu a eliminar dez regulamentações para cada nova que for implementada e propôs uma redução tributária em uma "nova era dourada".
"Minha mensagem para o mundo é clara: venham produzir nos EUA e nós ofereceremos incentivos fiscais. Caso contrário, vocês enfrentarão taxas variáveis", afirmou Trump. Ele ainda expressou sua intenção de exigir uma redução imediata das taxas de juros nos Estados Unidos e sugeriu que outras nações considerassem adotar uma abordagem semelhante.
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