Diário de São Paulo
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Mancini volta à seleção italiana em meio a crise histórica e turbulência na federação

Campeão da Eurocopa de 2021 inicia sua segunda passagem pela Itália após recusas de Guardiola e Ancelotti, veto à contratação de Pirlo e saída de Maldini e Leonardo.

Campeão da Eurocopa de 2021, o treinador assume a missão de reconstruir a Azzurra depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo - Imagem: Reprodução
Campeão da Eurocopa de 2021, o treinador assume a missão de reconstruir a Azzurra depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 28/07/2026, às 12h43


Roberto Mancini foi recontratado para liderar a seleção italiana após uma crise na Federação Italiana de Futebol, que resultou na saída de Gennaro Gattuso e na busca por um novo rumo após três Copas do Mundo consecutivas sem participação.

A escolha de Mancini ocorre em um contexto de tentativas frustradas de contratação de outros treinadores renomados, como Pep Guardiola e Carlo Ancelotti, além de controvérsias envolvendo Andrea Pirlo, que levaram a mudanças na direção da federação.

Mancini, que já havia conquistado a Eurocopa de 2021, terá a missão de revitalizar a seleção, com o primeiro jogo marcado para 25 de setembro contra a Bélgica, visando recuperar a competitividade da Itália em competições internacionais.

Roberto Mancini está de volta ao comando da seleção italiana. O treinador de 61 anos foi escolhido para liderar a reconstrução da Azzurra após uma das semanas mais turbulentas da história recente da Federação Italiana de Futebol, marcada por negociações frustradas, disputas internas e mudanças na direção esportiva.

A escolha foi comunicada nesta terça-feira, 28 de julho, pelo presidente da Federação Italiana de Futebol, Giovanni Malagò, durante uma reunião do Conselho Federal. Mancini substituirá Gennaro Gattuso, que deixou o cargo em abril, depois de a Itália fracassar nas Eliminatórias e ficar fora da Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva.

Além de Mancini, a federação definiu a chegada de Claudio Ranieri como novo diretor técnico. O treinador de 74 anos, campeão da Premier League com o Leicester City na temporada 2015/2016, será responsável pela estrutura técnica, pelo desenvolvimento do futebol de elite e pela integração entre a seleção principal e as demais categorias nacionais.

A volta de Mancini encerra um processo de escolha que expôs a crise esportiva e institucional do futebol italiano. O primeiro grande alvo da federação foi Pep Guardiola. O espanhol, que deixou o Manchester City após uma trajetória histórica no clube inglês, analisou o projeto, mas recusou o convite por razões pessoais e familiares.

Carlo Ancelotti também foi procurado. O treinador italiano, no entanto, informou que pretendia permanecer à frente da seleção brasileira e não avançou nas negociações. Diante das negativas, Paolo Maldini, então diretor técnico da federação, e o brasileiro Leonardo, que atuava como consultor, passaram a defender a contratação de Andrea Pirlo.

O acordo com Pirlo chegou a ser encaminhado, mas foi interrompido após uma controvérsia envolvendo a relação comercial do treinador com a Fonbet, empresa russa do setor de apostas. Pirlo atua como embaixador da marca e também comandava o United FC, dos Emirados Árabes Unidos, clube controlado por um empresário russo ligado à companhia.

A associação provocou críticas de políticos e dirigentes italianos. Diante da repercussão, Giovanni Malagò decidiu não autorizar a contratação. Pirlo confirmou nas redes sociais que havia sido informado de que não era mais candidato ao cargo e afirmou que sua relação com a empresa era exclusivamente comercial e esportiva, sem qualquer posicionamento político.

Contrariados com a decisão, Maldini e Leonardo deixaram seus cargos na Federação Italiana. A dupla havia sido anunciada em 11 de julho e permaneceu apenas 16 dias no projeto. Maldini ocuparia a direção técnica e a presidência do Club Italia, enquanto Leonardo trabalharia como conselheiro na reformulação das seleções nacionais.

Com a crise instalada, Mancini surgiu como uma solução conhecida e capaz de produzir resultados em curto prazo. O treinador comandou a Itália entre maio de 2018 e agosto de 2023. Durante a primeira passagem, dirigiu a seleção em 58 partidas e conquistou a Eurocopa de 2021, vencendo a Inglaterra nos pênaltis, em Wembley.

O trabalho também ficou marcado por uma sequência recorde de 37 partidas sem derrota e pela tentativa de renovar a equipe com jogadores mais jovens. Apesar do título continental, Mancini não conseguiu classificar a Itália para a Copa do Mundo de 2022, após a derrota para a Macedônia do Norte na repescagem europeia.

O treinador deixou o cargo em agosto de 2023, poucos meses depois de ter recebido novas responsabilidades dentro do projeto técnico da federação. Posteriormente, comandou a seleção da Arábia Saudita e o Al Sadd, do Catar, antes de ficar disponível no mercado.

Em clubes, Mancini construiu uma carreira de destaque no futebol europeu. Passou por Fiorentina, Lazio, Inter de Milão, Galatasaray e Manchester City. Na Inglaterra, conduziu o City ao título da Premier League na temporada 2011/2012, encerrando um jejum de 44 anos do clube na competição.

A missão agora será reconstruir uma seleção que, apesar de ser tetracampeã mundial, não disputa uma Copa do Mundo desde 2014. A Itália ficou fora das edições de 2018, 2022 e 2026, resultado que aprofundou os questionamentos sobre a formação de atletas, a estrutura das categorias de base e a presença reduzida de jogadores italianos nos principais clubes do país.

O primeiro compromisso da nova passagem de Mancini está previsto para 25 de setembro, contra a Bélgica, pela Liga das Nações. A Itália está no Grupo A1, ao lado de Bélgica, França e Turquia. O confronto marcará o início de um projeto que terá como principal objetivo recuperar a competitividade e devolver a seleção ao cenário das grandes competições internacionais.


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