Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram alta nos contratos até as eleições de 2022 e queda gradual nos anos seguintes, antes da liquidação da instituição

Letícia Sales Publicado em 27/07/2026, às 09h07
O número de contratos de empréstimo consignado do Banco Master com militares, veteranos e pensionistas do Exército apresentou crescimento contínuo entre 2020 e 2022, atingindo o maior volume durante o período das eleições presidenciais. As informações constam em documentos disponibilizados pelo Exército por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Os primeiros descontos em folha ligados ao banco foram registrados em outubro de 2020, quando a instituição já possuía 876 contratos ativos com integrantes e pensionistas da força. Nos meses seguintes, a carteira de clientes cresceu de forma acelerada.
Em novembro daquele ano, o número de contratos passou para 2,3 mil. Em dezembro, chegou a 3,7 mil. Já em janeiro de 2021, alcançou 4,9 mil, enquanto, em fevereiro, atingiu 5,9 mil contratos, indicando a adesão de cerca de mil novos clientes por mês.
A expansão continuou até outubro de 2022, período em que o banco registrou o maior volume de descontos em folha do Exército, superando R$ 10 milhões mensais. O mesmo período coincide com as eleições presidenciais, quando Fabiano Zettel, apontado nas investigações como interposto do banqueiro Daniel Vorcaro, foi o maior doador da campanha do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Após esse período, os dados mostram uma redução gradual tanto no valor descontado quanto na quantidade de contratos ativos, indicando que os empréstimos encerrados deixaram de ser substituídos por novas operações.
A partir de setembro de 2024, os descontos mensais ficaram em torno de R$ 2 milhões, patamar que permaneceu até novembro de 2025, quando o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
Mesmo com a redução da carteira de clientes, o Comando do Exército firmou, em 15 de janeiro de 2025, um termo aditivo prorrogando até 2027 o credenciamento do Banco Master para oferecer empréstimos consignados a militares e pensionistas.
Com a liquidação da instituição financeira, o credenciamento foi revogado. Ainda assim, os contratos válidos permaneceram em execução. Em abril, último período citado nos documentos, cerca de R$ 2,1 milhões foram descontados da folha de pagamento de 4.113 militares e pensionistas.
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