Globo, CBF, artistas, atletas e agências contrataram campanhas de um banco que operava regularmente, tinha autorização do Banco Central e mantinha documentação regulatória em dia à época dos contratos

Redação Publicado em 24/07/2026, às 15h05
A crise envolvendo o Will Bank reacendeu uma discussão no mercado publicitário: até que ponto empresas, artistas, apresentadores e veículos de comunicação poderiam prever os problemas enfrentados posteriormente pela instituição?
Ao longo dos últimos anos, o banco firmou contratos com alguns dos maiores nomes da publicidade brasileira. TV Globo, Luciano Huck, Vinícius Júnior, Belo, João Gomes, Rebeca Andrade, Simone Mendes, Pabllo Vittar, influenciadores digitais, agências de publicidade e até a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) participaram de campanhas ou ações comerciais ligadas à marca.
Na época em que esses contratos foram assinados, o Will Bank operava regularmente no sistema financeiro nacional, com autorização do Banco Central e sujeito à supervisão do órgão regulador. Não havia, do ponto de vista formal, impedimento público que inviabilizasse relações comerciais ou campanhas publicitárias.
Especialistas em direito empresarial ouvidos pela reportagem afirmam que anunciantes normalmente realizam diligências de compliance, mas essas verificações se baseiam em informações públicas disponíveis naquele momento. Quando uma instituição financeira possui autorização para funcionar e cumpre as exigências regulatórias conhecidas, é natural que empresas de mídia, artistas e agências considerem a contratação regular.
Nesse contexto, a discussão jurídica passa a ser outra: eventual responsabilização dos contratantes dependeria da demonstração de que eles tinham conhecimento prévio de irregularidades ou participaram de alguma conduta ilícita — algo que, até o momento, não foi demonstrado publicamente.
Assim, a presença de grandes empresas e celebridades nas campanhas do banco, por si só, não constitui prova de participação em eventuais irregularidades, mas evidencia que a instituição era aceita pelo mercado publicitário e corporativo enquanto mantinha sua atuação regular perante os órgãos competentes.
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