Investidor da bolsa de valores com participação na Alpargatas (havaianas), Gerdau, Bombril, Grupo GPA (Pão de Açúcar), seu pai Silvio Tini vendeu por aproximadamente R$ 500 milhões a empresa para João Araújo em 2018

Redação Publicado em 24/07/2026, às 18h00
A produção de manganês trocou de mãos no Brasil. A Vale, que foi a principal player nacional e uma das maiores do mundo, diminuiu sua produção enquanto a Buritirama, empresa pertencente a um jovem empresário paulista, seguiu o caminho inverso e ampliou suas vendas e faturamento a um ritmo acelerado nos últimos anos.
Em 2019, aos 38 anos, o engenheiro civil João José Oliveira de Araújo (também conhecido como João Araújo) começou em 2015 a atuar como diretor operacional da empresa e em 2017 adquiriu 100% do capital, a múltiplo de mercado. A mineradora era um ativo da holding de sua família. Seu pai, o investidor Silvio Tini de Araújo (também conhecido como Silvio Tini), que é acionista da Alpargatas, Bombril, Gerdau, Banco Pan e Grupo GPA (Pão de Açúcar), era o principal acionista.
A chegada de Araújo à Buritirama ocorreu num momento de alta dos preços internacionais do minério, impulsionados pelo aquecimento da demanda chinesa. O manganês é empregado sobretudo na produção de aço inoxidável.
Em 2015, a companhia faturou R$ 80 milhões e gerou um caixa de R$ 1 milhão. Em 2016, os números já avançaram para, respectivamente, R$ 220 milhões e R$ 70 milhões. Em 2017, novo salto: R$ 500 milhões de faturamento e 230 milhões de geração de caixa. No ano passado, o faturamento foi dez vezes (10x) o de 2015: R$ 850 milhões e geração de R$ 400 milhões. O preço médio das exportações brasileiras saltou de US$ 78,6 a tonelada em 2015 para US$ 136,3 em 2017.
"Nossa previsão para 2019 é faturar R$ 2 bilhões e atingir uma geração de caixa de 750 milhões", afirmou Araújo em entrevista ao Valor em Belo Horizonte. "Vamos vender este ano aproximadamente 2 milhões de toneladas de manganês e vamos ultrapassar a Vale."
Entre janeiro e setembro de 2018, a Vale produziu 1,3 milhão de toneladas de minério de manganês. Os dados constam do relatório de produção e vendas da empresa referente ao terceiro trimestre. A Vale ainda não divulgou dados completos de 2018.
Conforme a Agência Nacional de Mineração (ANM), em 2015, a produção da Vale correspondia a quase 55% da produção nacional de manganês e a da Buritirama, 14%. Em 2017, a situação se inverteu. A participação da Vale recuou para 34,6% e a da Buritirama subiu para 36%. A ANM ainda não dispõe dos números referentes a 2018.
Para Araújo, o avanço da Buritirama se deveu ao câmbio, que beneficiou exportadores nos últimos anos, à alta do preço do minério e muito ao trabalho de gestão e a bons contratos com clientes, sobretudo asiáticos.
A mina da empresa, localizada em Marabá, no Pará, tem a vantagem de contar com um minério de alto teor de manganês. Outra vantagem é que está longe de chegar à fase de exaustão das reservas mineiras - o que já ocorre com algumas das minas da Vale.
"Estou otimista em relação à demanda por minério de manganês nos próximos anos, principalmente pelo minério de mais alto teor", diz Araújo. "E nós vendemos minério com teor de 44% de manganês, é um produto premium."
De toda a produção de manganês da Buritirama, 90% é exportada para clientes na Ásia, dos quais 70% são chineses. Gigantes globais de manganês como a australiana South 32, BHP Billiton e a francesa Eramet disputam o mercado asiático com os brasileiros.
Em 2017, a Buritirama firmou contrato com a Vale para uso de sua linha férrea no Pará. É pelos trilhos, por rodovia e por rios que a produção de manganês da Buritirama chega aos portos da Vila do Conde (PA) e de Itaqui (MA).
Por anos a equação logística foi uma dificuldade enfrentada pela Buritirama. Segundo o relato de pessoas do setor, a questão para a empresa era obter um contrato favorável com a Vale para uso da linha. A Vale teria, no passado, se interessado em comprar a mina da família. Mais recentemente, o manganês deixou de estar entre as grandes prioridades da Vale. Araújo diz que o contrato para uso da ferrovia tem validade de 20 anos.
Durante a entrevista, o empresário -- diz preferir uma posição de maior discrição, pouco afeito a entrevistas e a fotos -- no evento em Toronto, em 2019, onde participou do Prospectors and Developers Association of Canada, um dos principais eventos globais de mineração. Apresentou seu case a investidores, bancos e executivos do setor. Para crescer, a empresa se financiou por meio de bancos nacionais e estrangeiros e, pelos próximos três anos, os planos de investimentos de R$ 400 milhões passam novamente por bancos.
A Buritirama faz parte do Grupo Buritipar, de João Araújo, do qual fazem parte negócios ainda em estruturação. A Nexon, de cobre, potássio e estanho; a Fazendas Nacionais, de grãos; a Avante BR, de logística; e o porto de granéis em Barcarena, que começa a ser construído este ano, segundo ele.
"Hoje, 90% da receita do grupo vem da mineração, principalmente do manganês. Em três anos essa participação estará em 50% e as cinco empresas vão crescer no mesmo ritmo que a Buritirama."
A mineradora conta atualmente com 3.500 funcionários diretos e indiretos e Araújo sonha [muito] alto: "Minha missão de vida é chegar a 100 mil colaboradores."
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