Mercado de trabalho segue aquecido mesmo com juros elevados e bate recordes de ocupação e renda

Letícia Sales Publicado em 30/01/2026, às 10h16
A taxa média anual de desocupação no Brasil caiu para 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. O índice recuou 1,0 ponto percentual em relação a 2024, quando estava em 6,6%, e ficou 6,2 pontos abaixo do registrado em 2019, no período pré-pandemia. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa foi ainda menor, de 5,1%.
Os números indicam um mercado de trabalho aquecido e resiliente, mesmo em um cenário de juros elevados. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em cerca de duas décadas. Em geral, juros altos encarecem o crédito e reduzem investimentos, o que tende a frear contratações. Ainda assim, a atividade econômica manteve ritmo elevado, pressionando o emprego e ajudando a explicar por que a inflação segue no radar do Banco Central.
Em 2025, a população desocupada somou 6,2 milhões de pessoas, cerca de 1 milhão a menos do que em 2024, o que representa uma queda de 14,5%. Já a população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica, com crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior e de 15,4% na comparação com 2012.
O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas trabalhando entre a população em idade ativa, também bateu recorde e chegou a 59,1% em 2025. O indicador avançou 0,5 ponto percentual frente a 2024 e ficou acima do patamar observado no início da série.
A taxa de subutilização da força de trabalho recuou para 14,5%, queda de 1,7 ponto percentual em relação a 2024. Ao todo, 16,6 milhões de pessoas estavam subutilizadas, uma redução de 10,8% em um ano. O número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, caiu para 2,9 milhões, o menor nível desde 2014.
No mercado formal, o número de empregados do setor privado com carteira assinada cresceu 2,8% e atingiu 38,9 milhões de pessoas, recorde da série histórica. Em sentido oposto, o contingente de trabalhadores sem carteira recuou 0,8%, embora ainda permaneça elevado na comparação de longo prazo. A taxa de informalidade caiu levemente, de 39,0% para 38,1%.
A renda também apresentou avanço. O rendimento real habitual médio foi estimado em R$ 3.560 em 2025, alta de 5,7% em relação a 2024. Já a massa de rendimentos somou R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série, com crescimento de 7,5% em um ano.
Entre os setores, informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e profissionais lideraram o crescimento do emprego, com alta de 6,8%. Comércio e reparação de veículos seguiram como o grupamento com maior número absoluto de ocupados, enquanto a administração pública manteve o segundo maior contingente.
Na contramão, a construção civil interrompeu a trajetória de alta e registrou queda de 3,9% no número de ocupados. Os serviços domésticos também recuaram, com redução de 4,1% em relação a 2024. A indústria mostrou recuperação moderada, enquanto a agropecuária cresceu levemente, mas segue abaixo dos níveis observados no início da série histórica.
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