Juros elevados, custos em alta e cenário externo mais difícil ampliam o pessimismo entre empresários, aponta Confederação Nacional da Indústria

Erika Osti Publicado em 15/04/2026, às 16h35
A confiança dos empresários da indústria brasileira voltou a cair em abril e chegou ao nível mais baixo desde o início da pandemia. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recuou pelo terceiro mês seguido, atingindo 45,2 pontos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria. O resultado reforça um quadro de pessimismo persistente no setor, pressionado por juros elevados, aumento de custos e um ambiente econômico mais desafiador, tanto no Brasil quanto no exterior.
O indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos há 16 meses consecutivos, o que sinaliza falta de confiança generalizada entre os industriais. Esse patamar indica que, na média, os empresários avaliam negativamente tanto o momento atual quanto as perspectivas para os próximos meses.
A queda recente está diretamente ligada a fatores que vêm se acumulando desde o início do ano. O custo do crédito segue elevado, o que dificulta investimentos e a expansão da produção. Ao mesmo tempo, a demanda por bens industriais mostra sinais de desaceleração, reduzindo o ritmo de novos pedidos. No cenário internacional, a instabilidade e o encarecimento de insumos, especialmente com a alta do petróleo, aumentam a pressão sobre os custos das empresas.
Os dados mostram deterioração tanto na avaliação do presente quanto nas expectativas. O índice de condições atuais caiu para 40,5 pontos, o que indica uma percepção mais negativa sobre a situação das empresas e da economia. Já o índice de expectativas recuou para 47,6 pontos, revelando que os empresários também estão menos otimistas em relação aos próximos seis meses.
Para a Confederação Nacional da Indústria, a combinação desses fatores tem intensificado o clima de cautela dentro do setor industrial em 2026. O resultado mais recente também acumula uma queda de 3,3 pontos nos últimos três meses, aprofundando a tendência de retração da confiança.
A pesquisa ouviu 1.070 empresas de pequeno, médio e grande porte entre os dias 1º e 8 de abril, abrangendo diferentes segmentos da indústria. O levantamento serve como termômetro do humor empresarial e costuma antecipar movimentos da atividade econômica, já que a confiança influencia decisões de investimento, contratação e produção.
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