OCDE revisa PIB do Brasil e projeta inflação de 5,4% em 2025

Manoela Cardozo Publicado em 09/04/2025, às 09h33
Na última terça-feira (08), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um relatório que acendeu um sinal de alerta para o cenário econômico brasileiro. A entidade revisou para baixo sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, passando de 2,7% para 2,1%. A expectativa de inflação também subiu, com previsão de 5,4% ao longo do ano.
A OCDE atribui a revisão à combinação de fatores internos e externos, com destaque para o impacto das políticas comerciais protecionistas dos Estados Unidos, que vêm agravando a instabilidade no comércio internacional. O governo norte-americano, sob nova gestão de Donald Trump, tem adotado medidas que afetam diretamente países emergentes, dificultando o ambiente global para exportações e investimentos.
O relatório aponta que, diante desse cenário, o Brasil pode ser forçado a elevar ainda mais a taxa básica de juros, a Selic, como resposta à pressão inflacionária. Essa medida, no entanto, tende a desacelerar ainda mais o ritmo da atividade econômica, criando um dilema para a política monetária do país.
Economistas consultados destacam que o Brasil entra em 2025 com uma agenda fiscal apertada e desafios estruturais não resolvidos. A combinação de baixo crescimento e inflação elevada, conhecida como estagflação, representa um risco concreto. O Banco Central pode ter que endurecer ainda mais sua atuação, o que torna o ambiente para o setor produtivo mais difícil, principalmente para pequenas e médias empresas.
A OCDE reforça que a economia brasileira precisa urgentemente de medidas estruturantes que melhorem a produtividade, reduzam o custo Brasil e atraiam investimentos. Entre elas, estão a modernização tributária, maior segurança jurídica e redução de entraves burocráticos.
O documento também adverte que, caso o governo brasileiro não consiga sinalizar um compromisso sólido com o controle da inflação e das contas públicas, o país pode ver o aumento do risco fiscal e a fuga de capitais.
Em resumo, a revisão feita pela OCDE não apenas diminui o otimismo em torno do crescimento brasileiro, mas também lança um alerta: a recuperação econômica pode ser mais frágil do que se previa, especialmente se a resposta às pressões externas e inflacionárias for tardia ou tímida.
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