Na campanha de 2022, durante debate, Lula prometeu picanha para todos

Jair Viana Publicado em 12/03/2023, às 10h34
Com uma queda de 1,22%, a carne apresenta os menores preços dos últimos 15 meses. Segundo revelam os dados, os preços das carnes caíram 1,22% em fevereiro no Brasil, a informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira,10.
De acordo com o levantamento, essa é a maior baixa desses produtos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde novembro de 2021.
A nova queda é a maior em 15 meses; o equivalente a mais de um ano. Em novembro de 2021, as carnes haviam recuado 1,38%.
Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IPCA, lembrou que os preços já vinham em uma trajetória de trégua após fortes altas na pandemia.
Segundo ele, a baixa em fevereiro deste ano pode ter sido intensificada pelo impacto inicial do embargo às exportações brasileiras para a China. A suspensão teria resultado em um aumento da oferta no mercado interno.
Os embarques para o país asiático foram paralisados a partir de 23 de fevereiro, após a confirmação de um caso de mal da vaca louca no Pará.
A variação do IPCA foi calculada a partir dos preços coletados no período de 28 de janeiro a 28 de fevereiro, segundo o IBGE.
“As carnes já vinham tendo uma redução, mas nesse mês foi mais pronunciada. Por isso, acho que tenha efeito da redução das exportações”, disse Kislanov.
Em entrevista ao Diário do Comércio , a economista Luciana Rabelo, do Itaú Unibanco, faz avaliação semelhante. “Pode ter tido algum impacto [do embargo], mas é uma inflação que já vinha desacelerando”, afirmou.
O Ministério da Agricultura confirmou neste mês que o caso de vaca louca no Pará foi atípico, mais comum em bovinos mais velhos e sem riscos para a cadeia produtiva e consumidores.
No IPCA, a variação das carnes reflete os preços de 18 subitens. Em fevereiro, a picanha foi o corte pesquisado com a maior queda (-2,63%). Em seguida, vieram fígado (-2,50%), alcatra (-2,50%), capa de filé (-2,37%) e costela (-2,28%).
A picanha foi o centro das discussões no ano passado, especialmente durante a campanha eleitoral para presidência da República. O então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a dizer que o brasileiro iria comer o produto.
A queda foi de 2,63% , sendo a maior para a picanha desde fevereiro de 2022. Naquele período, o preço do produto havia recuado 3,75%.
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