Avanço das importações e alta nas remessas de lucros ao exterior explicam a piora, segundo o Banco Central

Erika Osti Publicado em 24/04/2026, às 16h38
O Brasil registrou um déficit de US$ 6,036 bilhões nas contas externas em março, mais que o dobro do resultado negativo observado no mesmo mês do ano passado. Os dados, divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (24), mostram uma piora no desempenho das transações correntes, influenciada principalmente pelo avanço das importações, pela redução do saldo comercial e pelo aumento das despesas com serviços e remessas de lucros ao exterior.
O resultado marca uma reversão após três meses seguidos de redução do déficit. No acumulado de 12 meses até março, o rombo nas contas externas chegou a US$ 64,274 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto. Apesar da alta recente, o valor ainda é menor do que o registrado no mesmo intervalo até março de 2025, quando o déficit somava US$ 74,383 bilhões, ou 3,47% do PIB.
A deterioração em março foi puxada, sobretudo, pela queda no superávit da balança comercial de bens, que encolheu diante do crescimento mais acelerado das importações. As compras do exterior somaram US$ 26,1 bilhões, com alta de 19,9% em relação a março do ano passado, enquanto as exportações cresceram em ritmo menor, 9,5%, totalizando US$ 31,7 bilhões. Com isso, o saldo positivo da balança ficou em US$ 5,6 bilhões, abaixo do registrado um ano antes.
Além do comércio de bens, outras contas também pressionaram o resultado. O déficit em serviços, que inclui gastos com viagens internacionais, transporte e tecnologia, atingiu US$ 4,785 bilhões. Já a conta de renda primária, que reúne remessas de lucros, dividendos e pagamentos de juros, chegou a US$ 7,384 bilhões, com aumento relevante na comparação anual.
Por outro lado, a conta de renda secundária, que envolve transferências sem contrapartida, como doações e remessas pessoais, teve saldo positivo de US$ 512 milhões no mês.
Mesmo com o aumento do déficit, o Banco Central avalia que o cenário externo segue relativamente equilibrado, sustentado pela entrada de investimentos de longo prazo. Em março, o investimento direto no país somou US$ 6,037 bilhões, praticamente em linha com o observado no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, esses aportes atingem US$ 75,660 bilhões, o equivalente a 3,18% do PIB.
Esse tipo de investimento é considerado mais estável e de melhor qualidade, pois é direcionado ao setor produtivo e ajuda a financiar o déficit externo sem gerar pressões imediatas sobre a economia. Já os investimentos em carteira tiveram saída líquida de US$ 2,867 bilhões em março, puxada principalmente por resgates em títulos de dívida. Ainda assim, no acumulado em 12 meses, há entrada líquida de US$ 28,4 bilhões.
As reservas internacionais do país fecharam março em US$ 362 bilhões, com queda de cerca de US$ 9 bilhões em relação ao mês anterior.
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