Banco Central divulga que mais de 1,2 milhão de chaves Pix foram marcadas como suspeitas de fraudes no último ano

Gabriela Thier Publicado em 26/05/2025, às 19h21
O Banco Central do Brasil anunciou que, a partir de 2026, cidadãos poderão verificar se suas chaves Pix foram identificadas como fraudulentas por instituições financeiras. Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (26), a diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, informou que essas informações estarão acessíveis no sistema Registrato.
A iniciativa visa aumentar a transparência em relação às marcações feitas pelas instituições financeiras em chaves Pixsuspeitas de envolvimento em fraudes. No ano passado, foram registradas mais de 1,2 milhão de marcações, conforme dados obtidos pelo Broadcast através da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Durante o anúncio, Carlos Eduardo Gomes, chefe do departamento de Atendimento Institucional do Banco Central, detalhou que o Registrato fornecerá apenas a informação sobre a marcação da chave, sem especificar os motivos que levaram à sua classificação. Para obter detalhes adicionais, o cidadão deverá entrar em contato diretamente com a instituição financeira que realizou a marcação. "Teremos um relatório informando que a chave está marcada e quem fez essa marcação; cabe ao cidadão procurar a instituição responsável para entender os motivos", afirmou Gomes.
De acordo com os dados apresentados, no último ano, 459.578 chaves Pix (equivalente a 38% do total) foram categorizadas como "scammer account", indicando que as contas utilizadas para receber valores oriundos de fraudes estavam em nome dos próprios fraudadores. Outras 328.945 chaves (27%) foram classificadas como contas-laranja, enquanto 422.932 (35%) se referem a outros tipos de fraudes.
A diretora Izabela Correa também mencionou que o Banco Central não possui estatísticas sobre o número de aberturas fraudulentas de contas, mas destacou que espera que um novo recurso apresentado na mesma coletiva - um sistema que permitirá aos cidadãos bloquear a abertura de novas contas em seu nome - contribua para a redução do número total dessas fraudes. "Ainda não temos números exatos sobre isso, mas sabemos que existem várias formas de fraudes e estamos constantemente monitorando essa situação. Esperamos que essa nova funcionalidade ajude na mitigação dessas práticas fraudulentas", concluiu.
Além das marcações relacionadas às chaves Pix, o sistema Registrato também deverá oferecer, a partir de 2026, informações sobre consórcios e autorizações no âmbito do Open Finance.
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