Estimativa oficial para o IPCA sobe para 3,7%, enquanto previsão de crescimento da economia permanece em 2,3%

Erika Osti Publicado em 13/03/2026, às 17h14
O Ministério da Fazenda revisou para cima a previsão de inflação para 2026 após a recente alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. A estimativa oficial agora aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ligeiramente acima da projeção anterior de 3,6%. Apesar da mudança, a expectativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 2,3%.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica. Segundo a equipe econômica, a revisão ocorre principalmente porque o aumento do petróleo tende a encarecer combustíveis no Brasil, pressionando os preços ao consumidor.
Nas novas projeções, o preço médio do barril de petróleo em 2026 passou de US$ 65,97 para US$ 73,09, uma alta de cerca de 10,8%. Parte desse aumento deve chegar às bombas, já que o governo considera que entre 20% e 30% do reajuste nas refinarias costuma ser repassado ao consumidor final.
A Fazenda explica que cada elevação de 1% no preço do petróleo pode acrescentar cerca de 0,02 ponto percentual à inflação oficial. Mesmo assim, um fator ajuda a amenizar essa pressão. A expectativa é de um real mais valorizado frente ao dólar, o que tende a baratear produtos importados e reduzir parte do impacto inflacionário.
A previsão para a cotação média da moeda norte-americana em 2026 caiu de R$ 5,43 para R$ 5,32. Pelos cálculos da equipe econômica, cada valorização de 1% do real pode reduzir a inflação em aproximadamente 0,06 ponto percentual.
Outros indicadores de preços também foram ajustados. O INPC, que mede a inflação para famílias de menor renda, passou de 3,7% para 3,8%. Já o IGP-DI subiu de 4,6% para 4,9%, índice mais sensível às oscilações do petróleo por incluir produtos no atacado e itens ligados à indústria extrativa.
Mesmo com a pressão nos preços, o governo avalia que a alta da commodity pode trazer efeitos positivos para a economia brasileira. Como o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados, a valorização internacional tende a aumentar as exportações, elevar a arrecadação de royalties e impulsionar a atividade do setor.
Simulações da Secretaria de Política Econômica indicam que, em cenários de choque mais forte no mercado internacional, o crescimento do PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora acompanhado de maior pressão inflacionária.
As projeções setoriais para 2026 permanecem praticamente estáveis, com crescimento estimado de 1,2% na agropecuária, 2,2% na indústria e 2,4% no setor de serviços.
A equipe econômica também avaliou cenários mais severos relacionados ao conflito no Oriente Médio, incluindo a possibilidade de uma guerra prolongada envolvendo o Irã. Em uma situação extrema, além da inflação mais alta, a arrecadação federal poderia aumentar em até R$ 96,6 bilhões devido ao impacto do petróleo sobre a atividade econômica e as exportações.
As estimativas divulgadas ainda não consideram medidas anunciadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis, como a redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel e a subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é evitar que o preço do diesel nas bombas suba ainda mais e pressione o custo do transporte e dos alimentos.
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