Diário de São Paulo
Siga-nos
Relações Internacionais

A parceria Brasil-China gera 62% mais empregos formais, superando outras nações

O relatório do CEBC revela que a China é a maior fonte de empregos formais no Brasil

O relatório do CEBC revela que a China é a maior fonte de empregos formais no Brasil - Imagem: Reprodução / Ricardo Stuckert / PR
O relatório do CEBC revela que a China é a maior fonte de empregos formais no Brasil - Imagem: Reprodução / Ricardo Stuckert / PR

Gabriela Thier Publicado em 13/09/2025, às 15h32


A colaboração comercial entre Brasil e China tem se mostrado um motor de crescimento para a economia brasileira, resultando em um aumento no número de empregos formais que supera o proporcionado por outras nações parceiras.

Entre os anos de 2008 e 2022, as exportações destinadas à China geraram um crescimento de 62% nos postos de trabalho, um desempenho que ultrapassou os resultados das relações comerciais com Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e outros países da América do Sul (17,4%).

Durante o mesmo intervalo, as importações provenientes da China também contribuíram significativamente, com um aumento de 55,4% no emprego formal. Esse crescimento é superior ao observado nas relações comerciais com a América do Sul (21,7%), União Europeia (21%), Estados Unidos (8,7%) e Mercosul (0,3%).

Essas informações são parte do relatório "Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China", recentemente publicado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O CEBC é uma entidade sem fins lucrativos dedicada a fomentar o diálogo entre empresas brasileiras e chinesas. O estudo considerou como parceiros do Mercosul os países Argentina, Paraguai e Uruguai.

Em termos de empregos gerados pelas atividades de importação, a parceria entre Brasil e China se destaca como a maior empregadora, contabilizando mais de 5,5 milhões de postos de trabalho, superando a União Europeia por 145 mil vagas. O ano de 2022 marcou um ponto crucial na história do comércio sino-brasileiro, sendo o primeiro a liderar o ranking de empregos desde 2008.

No que tange às exportações para a China, as atividades envolviam mais de 2 milhões de trabalhadores. Embora o crescimento registrado (+62%) seja expressivo, essa modalidade ainda fica atrás dos números absolutos de emprego gerados por outros blocos comerciais: Mercosul (3,8 milhões), União Europeia (3,6 milhões), América do Sul (3,5 milhões) e Estados Unidos (3,4 milhões).

Camila Amigo, analista do CEBC, explica que a menor quantidade de empregos gerados nas exportações para a China está relacionada ao perfil dos produtos comercializados. As exportações são predominantemente compostas por bens agropecuários e minerais. Embora esses setores sejam competitivos e estratégicos, apresentam um nível elevado de mecanização em comparação com segmentos industriais mais diversificados que predominam nas exportações brasileiras para outras regiões.

Os dados sobre os postos de trabalho foram obtidos através da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), documento que as empresas enviam ao Ministério do Trabalho e Emprego, refletindo assim somente os empregos formais.

A distinção entre empregos em empresas importadoras e exportadoras foi feita para evitar duplicidade nos números, visto que algumas empresas atuam em ambas as áreas.

A importância da China na economia brasileira é inegável. Em 2024, cerca de 3 milhões de empresas brasileiras realizaram exportações para a China, enquanto aproximadamente 40 mil estavam envolvidas em atividades de importação. No mesmo ano, as exportações brasileiras para o país asiático representaram 28% do total das vendas externas do Brasil, enquanto 24% das importações tinham origem na China.

Este relacionamento comercial resultou em um superávit significativo para o Brasil; nos últimos dez anos, o saldo positivo acumulado alcançou US$ 276 bilhões. Esse montante representa mais da metade (51%) do superávit total brasileiro no comércio exterior nesse período.

Os autores do estudo ressaltam que a relação comercial com a China é essencial não apenas para o comércio exterior brasileiro mas também como um pilar da estabilidade macroeconômica nacional. A continuidade desse superávit tem contribuído para reduzir a vulnerabilidade externa e aumentar as reservas internacionais do Brasil.


últimas notícias