Centros comerciais de São Paulo enfrentam alta demanda por mão de obra

Gabriela Thier Publicado em 07/08/2025, às 18h06
A crescente demanda por mão de obra nas regiões do Brás e do Bom Retiro, centros comerciais emblemáticos de São Paulo, tem gerado uma avalanche de anúncios de emprego nas vitrines das lojas locais. Frases como "Contrata-se ajudante geral" e "Precisa-se de balconista" estão se tornando comuns, refletindo uma necessidade urgente por profissionais em diversos setores.
De acordo com a Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), há aproximadamente 10 mil oportunidades de emprego disponíveis na área. Na vizinha Rua José Paulino, a Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro também aponta mais de mil vagas abertas, evidenciando um quadro preocupante para os comerciantes que lutam para preencher esses postos.
Recentemente, Lauro Pimenta, vice-presidente da Alobrás, revelou que a entidade se reuniu com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico na última sexta-feira (1º) para discutir uma parceria com o Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate). Ele enfatizou a urgência da situação: "Estamos em busca de soluções com a prefeitura, pois simplesmente solicitar ajuda em grupos de WhatsApp não é mais suficiente. Precisamos desenvolver campanhas estruturadas para atrair candidatos, especialmente considerando o segundo semestre que se aproxima", declarou Pimenta.
Pimenta ainda destacou que a escassez de mão de obra é evidente e que muitos trabalhadores preferem atuar como autônomos ao invés de aceitar empregos formais. A rotatividade dos colaboradores tem sido um desafio constante: "A maioria das lojas necessita urgentemente de pelo menos um funcionário. Se esperarmos até setembro para buscar mão de obra, provavelmente não encontraremos", alertou.
As posições mais procuradas incluem vendedores, caixas, cortadores e gerentes. Segundo Pimenta, a intenção é integrar um link do Cate ao site da Alobrás para facilitar o preenchimento dessas vagas.
Comerciante Heloilson Leite, que atua no Brás há mais de três décadas, compartilhou sua própria luta por contratações. Ele informou que mantém uma placa fixa em sua loja indicando a necessidade de novos funcionários há mais de um ano. "Preciso urgentemente de embaladores e atendentes", afirmou Leite.
A situação é igualmente desafiadora para Sandra Maria da Silva, que fechou sua loja no Brás devido à dificuldade em contratar pessoal. Agora operando exclusivamente online, ela relata as dificuldades persistentes em encontrar alguém que possa auxiliar nas operações administrativas e logísticas. "A falta de comprometimento tem sido um problema recorrente entre os candidatos", explica Sandra.
Dunia Saed, que possui uma rede de lojas na região, também enfrenta desafios significativos ao tentar preencher cerca de 30 vagas disponíveis. "Estamos lidando com uma alta rotatividade e uma escassez geral tanto de profissionais qualificados quanto não qualificados", comentou Saed.
Na Rua José Paulino, a realidade se repete: mais de 40 lojas estão com anúncios expostos em busca de funcionários. Uma vendedora revelou que sua loja levou sete meses para conseguir preencher uma vaga. "A sobrecarga sobre os poucos funcionários restantes é imensa", lamentou.
Conforme mencionado pela Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro, aproximadamente duas em cada três lojas enfrentam dificuldades na contratação. Uma representante anônima comentou que mesmo com o apoio da prefeitura, ainda é complicado encontrar pessoas dispostas a trabalhar no comércio.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho se manifestou por meio de um comunicado, reafirmando seu compromisso em dialogar com todos os setores envolvidos na geração de empregos e renda na cidade. Em 1º de agosto, representantes da Alobrás foram recebidos para discutir ações conjuntas visando facilitar a entrada no mercado profissional.
Analistas apontam que o cenário atual pode ser atribuído a um contexto econômico favorável, onde as taxas históricas baixas de desemprego dificultam a atração para cargos que oferecem salários menores ou exigem habilidades específicas limitadas. Vivian Almeida, professora do Ibmec, observou que à medida que as taxas diminuem e as opções aumentam, os trabalhadores tendem a buscar melhores condições financeiras antes de aceitarem novas propostas.
Os dados mais recentes indicam que o estado de São Paulo adicionou 40.089 novos postos formais apenas em junho deste ano, mostrando um crescimento contínuo no mercado laboral local. O setor serviços lidera essa expansão com destaque significativo nas áreas comerciais.
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