Um grupo de pessoas, liderado pela empresária Priscila Tapia e pela advogada Gislaine Novello, ambas moradoras do bairro Vila Mariana, protocolou um manifesto

Redação Publicado em 25/01/2022, às 00h00 - Atualizado às 18h50
Um grupo de pessoas, liderado pela empresária Priscila Tapia e pela advogada Gislaine Novello, ambas moradoras do bairro Vila Mariana, protocolou um manifesto no Ministério Público de SP, nesta sexta-feira (21), denunciando maus-tratos a diversos animais na Praça Mokiti Okada, da Rua Sena Madureira.
Segundo o manifesto, os maus-tratos acontecem há aproximadamente dois anos e são cometidos por um casal que aparentam ter 40 anos de idade. O casal teria se instalado na Praça e, no início, possuíam cerca de oito cães de variadas raças. A situação de rua com os animais acabou chamando a atenção dos moradores da vizinhança que foram até o casal para conhece-los e saberem como poderiam ajuda-los.
A mulher se identificou como Lúcia e o homem como Marcelo. “A princípio o relacionamento entre os moradores do bairro e o casal em situação de rua transcorreu harmoniosamente, sendo-lhes oferecidos doações de itens, como roupas, barraca, colchão, mantimentos, ração para os cães, entre outros materiais pertinentes. Contudo, com o passar do tempo foram adicionados mais cães, ampliando a área de ocupação do espaço público até quase atingir a totalidade da praça, o que ocasionou uma série de transtornos com o acúmulo de fezes e urina dos animais, lixo de todo tipo, mau cheiro, artefatos usados no consumo de drogas, sem contar a obstrução das calçadas obrigando os pedestres a desviarem para a rua”, consta em trecho do manifesto.
Priscila conversou com o Diário de SP e explicou que o quadro foi se agravando e hoje já são mais de 17 cães na mesma situação. “O tratamento dispensado aos animais passou a nos preocupar. Eles permanecem acorrentados às árvores 24 horas por dia, sob chuva e sol, em meio à lama misturada a excrementos ou confinados em compartimentos de transporte, caixas de papelão e até carrinho de supermercado, recebendo alimentação insuficiente e quase nenhuma água. Convém ressaltar que alguns dos animais se tornaram agressivos, já tendo atacado pessoas e cachorros da vizinhança com mordidas”, detalha a empresária.

O caso chegou até a Subprefeitura da Vila Mariana após os moradores, mesmo dando o suporte com alimentação, por exemplo, notarem que os cães estavam muito magros e latiam chorosamente durante o dia e, principalmente, a noite. “Uivos e gemidos angustiantes soando como pedidos de socorro passaram a despertar moradores vizinhos ao local durante as madrugadas. Preocupados com as condições precárias dos animais, vários moradores, sensibilizados com a deprimente situação, se reuniram na tentativa de encontrar soluções e o caso foi levado ao conhecimento da subprefeitura da Vila Mariana, que, por meio do centro de zoonoses, se limitou a atestar que estavam todos vacinados e ‘alimentados’”, diz trecho do manifesto público.
Os animais chegaram a ser levados da Praça, mas, para a surpresa dos moradores, foram devolvidos em seguida. A partir daí, inúmeras denúncias vêm sendo feitas todos os dias à subprefeitura sobre os maus-tratos a que são submetidos os cães, porém, sem sucesso.
“Moradores do bairro assistem impotentes e assustados a crueldade escalando a cada dia em pleno espaço público, aos olhos de toda e qualquer pessoa que tiver a coragem e a honestidade de observar, por mais de alguns poucos minutos (como lamentavelmente fizeram os agentes da prefeitura). O fato é que, os cães agonizam e a praça pede socorro diante do descaso dos órgãos competentes (ou seriam incompetentes?) às barbas da Guarda Civil Metropolitana e Polícia Militar, que mantém bases a poucos metros daquele local insalubre, como se fosse algo perfeitamente normal deixarem de cumprir as obrigações legais e sociais para as quais foram instituídas”, diz a advogada Gislaine.
Além de todo o cenário de maus-tratos, há suspeitas de envolvimento do casal com drogas ilícitas, não sabendo ainda se é para consumo próprio ou comercialização. “A mulher tem ameaçado os moradores com uma faca do tipo ‘peixeira’, quando estes se aproximam da praça. Claro está que o casal de supostos ‘moradores em situação de rua’, na verdade nunca teve interesse genuíno nesses cães, apenas estão explorando os animais em benefício próprio, seja para garantir a ocupação da praça sem serem incomodados, seja para embasar a falsa narrativa romântica de ‘dedicados cuidadores de animais’”, reitera o manifesto, protocolado nesta sexta-feira (21), no Ministério Público de SP.

O Diário de SP questionou o Ministério Público sobre o que o órgão poderia fazer para sanar essa situação, no entanto, não obteve resposta. Também entrou em contato com a assessoria da subprefeitura da Vila Mariana e não obteve retorno.
Um abaixo-assinado está ativo na internet, para que, através da pressão popular, alguma atitude seja tomada. O link para assinar o abaixo-assinado, que já conta com mais de 5 mil assinaturas, é Abaixo-assinado · 17 CÃES ACORRENTADOS EM PRAÇA PÚBLICA ! AJUDEM- NOS A SALVÁ-LOS! · Change.org
O grupo de protetores ainda ressalta que o marido, que se identificou como Marcelo, foi nitidamente flagrado cortando cabos de energia elétrica na praça, fazendo-a imergir em absoluta escuridão. “E tem mais: ossadas de animais de pequeno e médio porte brotam do solo estéril ao menor movimento da enxada revolvendo a terra, o que foi constatado por testemunhas apavoradas diante da revelação do espetáculo macabro protagonizado na calada da noite pelo casal de ‘desvalidos e amorosos cuidadores de cães’”, conclui o manifesto.
Assista o video abaixo:
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