Por Kleber Carrilho*

Redação Publicado em 07/05/2022, às 00h00 - Atualizado às 08h50
Por Kleber Carrilho*
Lula quer mesmo perder as eleições?
Nos jornais dos últimos dias, em toda a Europa, e principalmente em Portugal, onde estou agora, o destaque é a “culpa” que Lula jogou em Volodymyr Zelensy pela guerra ao falar para a revista Time. E, por mais que haja motivos para criticar o posicionamento político e a história eleitoral do presidente ucraniano, colocá-lo em pé de igualdade com o presidente russo Vladimir Putin é, claramente, um erro de avaliação e um engano político.
Afinal, no momento em que os principais aliados internacionais de Lula, que o receberam de forma afetiva na visita que ele faz há poucos meses, estão claramente ao lado de Zelensky, criticá-lo de forma tão ostensiva é um erro estratégico.
Você pode dizer que os europeus não votam, e consequentemente Lula deve estar ao lado dos brasileiros, e não preocupado com o que acontece do outro lado do mundo. Porém, foi a própria estratégia do ex-presidente que definiu, já há algum tempo, que o grande diferencial dele é mostrar a capacidade política, principalmente nos contatos internacionais, área em que Bolsonaro tem mostrado pouca competência.
No ambiente interno, Lula também mostra fragilidades ao não entender o cenário dos ambientes digitais em campanhas. Tem abusado de falas pouco estratégicas em lugares que ele considera “fechados”, e não tem se preocupado com os reflexos que os editores de vídeo podem causar nas redes sociais.
As falas sobre as piadas com nordestinos, além da citação que pode ser considerada depreciativa sobre os policiais, são somente dois exemplos do que pode ser a principal fragilidade do projeto político de Lula: o próprio candidato.
É evidente que, para quem não participa de campanhas como candidato desde 2006, quando as redes sociais ainda nem existiam como conhecemos hoje, fica difícil ultrapassar o pensamento analógico.
A troca dos profissionais de comunicação e marketing, que ocorreu há pouco tempo, tende a não alterar esse cenário, a não ser que seja uma decisão estratégica pedir para que Lula fale menos, observe mais os roteiros e não caia na tentação das falas improvisadas, que o ex-presidente gosta tanto.
Para a equipe que cuida da comunicação de Bolsonaro, observar os erros previsíveis do petista é uma atividade que deve se intensificar até outubro porque, no final das contas, essa eleição tende a ser decidida por um número pequeno de eleitores, que poderão ou não trocar de lado.
Se Lula demonstrar que está mais próximo do líder conciliador e preocupado com as questões econômicas, relembrando seus governos e conquistas, pode ganhar a cadeira. Se não fizer isso, uma parte dos eleitores vão voltar a escolher Bolsonaro, mesmo que não contem para os pesquisadores nem divulguem para os amigos nas redes sociais.
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