IBC-Br avançou 0,07% no mês, sustentado pela indústria, enquanto agropecuária recuou e indicadores recentes apontam perda de fôlego no segundo trimestre.

Ana Beatriz Silva Publicado em 17/07/2026, às 19h33
A economia brasileira apresentou crescimento de 0,07% em maio, conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, mantendo-se no maior nível histórico desde 2003, mas sinalizando desaceleração.
O crescimento foi impulsionado pela indústria, que avançou 0,4%, enquanto a agropecuária teve um recuo de 1,0%, refletindo uma economia que, embora ainda em expansão, mostra sinais de perda de força.
Com a Selic em 14,25% ao ano, o custo elevado do crédito limita o consumo e os investimentos, levando economistas a projetarem um crescimento do PIB entre 0,4% e 0,5% para o segundo trimestre de 2026.
A economia brasileira voltou a crescer em maio, mas em ritmo praticamente estável. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, conhecido como IBC-Br e tratado pelo mercado como uma prévia do PIB, avançou 0,07% em relação a abril, na série com ajuste sazonal. O resultado, apesar de modesto, foi suficiente para manter o indicador no maior patamar da série histórica, iniciada em 2003.
Na prática, o dado mostra uma economia que ainda resiste, mas já dá sinais de desaceleração. O índice passou de 110,96 para 111,04 pontos na série dessazonalizada, mantendo o nível recorde de atividade econômica no país. O avanço veio próximo da estabilidade esperada por parte do mercado e, arredondado, representa alta de 0,1% no mês.
O principal suporte para o resultado de maio veio da indústria, que cresceu 0,4% na leitura setorial do indicador do Banco Central. Os serviços também avançaram, mas de forma mais fraca, com alta de 0,1%. Na outra ponta, a agropecuária pressionou negativamente o desempenho geral, com recuo de 1,0% em relação a abril.
Mesmo com a alta pequena, as comparações anuais continuam positivas. Em relação a maio de 2025, o IBC-Br ficou 0,8% acima. No acumulado em 12 meses, a atividade econômica registra avanço de 1,4%, segundo os números divulgados pelo Banco Central.
O resultado de maio vem depois de um primeiro trimestre mais forte. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 1,1% entre janeiro e março de 2026, chegando a R$ 3,3 trilhões. Naquele período, houve alta nos três grandes setores da economia: agropecuária, com 2,0%, indústria, com 1,0%, e serviços, com 0,5%.
Apesar disso, os dados mais recentes mostram que a economia perdeu força no segundo trimestre. A produção industrial medida pelo IBGE caiu 0,2% em maio, interrompendo uma sequência de altas. O setor de serviços recuou 0,4% no mesmo mês, após avanço em abril. Já o varejo cresceu apenas 0,1%, enquanto o varejo ampliado caiu 0,2%.
Esse conjunto de indicadores reforça a leitura de que o país segue em crescimento, mas com menor tração. Economistas ouvidos pela Reuters avaliam que o avanço modesto do IBC-Br, somado aos resultados fracos de comércio e serviços, aponta para perda de fôlego após um começo de ano mais forte. Projeções citadas pela agência estimam crescimento do PIB em torno de 0,4% a 0,5% no segundo trimestre.
A política monetária também ajuda a explicar o cenário. Com a Selic em 14,25% ao ano, o custo do crédito continua elevado, o que tende a limitar consumo, investimentos e expansão mais forte da atividade. No Relatório Focus mais recente, o mercado manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,99% para 2026 e reduziu a estimativa para 2027, de 1,69% para 1,65%.
O IBC-Br não é o PIB oficial, mas funciona como um termômetro mensal da economia. O indicador é calculado pelo Banco Central a partir de informações que representam a atividade da agropecuária, da indústria, dos serviços e dos impostos sobre produção. Já o PIB oficial é divulgado pelo IBGE a cada trimestre.
Assim, o dado de maio carrega duas mensagens ao mesmo tempo. A primeira é positiva: o Brasil manteve sua atividade econômica no maior nível já registrado pela série. A segunda exige cautela: o crescimento está cada vez mais lento, e a sustentação desse recorde dependerá da reação dos setores produtivos, do comportamento dos juros e da capacidade de consumo das famílias nos próximos meses.
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