Nova rodada de bombardeios americanos contra alvos estratégicos no Irã provocou retaliação de Teerã contra instalações dos EUA e países do Golfo, aumentando o temor de que o conflito se espalhe pelo Oriente Médio e afete o mercado global de petróleo.

Ana Beatriz Silva Publicado em 17/07/2026, às 20h28
A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã intensificou-se, com novas ofensivas militares que afetam diretamente o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás, aumentando o risco de um conflito regional mais amplo.
As forças americanas atacaram alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações militares e de defesa, enquanto o Irã respondeu com ataques a instalações americanas em países vizinhos, elevando a tensão na região.
O governo dos EUA defende os ataques como necessários para proteger a navegação, mas enfrenta críticas por potencialmente levar a uma guerra prolongada, enquanto o Irã promete retaliar e não aceitar pressão sobre seu território, aumentando a preocupação global sobre a escalada do conflito.
A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase mais perigosa nesta sexta-feira, 17 de julho, com novas ofensivas militares, ameaças de ampliação do conflito e impacto direto sobre uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo. O Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás, voltou ao centro da crise e passou a ser tratado como o principal ponto de pressão entre Washington e Teerã.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas realizaram novas ondas de ataques contra alvos iranianos com o objetivo declarado de reduzir a capacidade militar usada pelo Irã para ameaçar embarcações comerciais na região. A ofensiva incluiu alvos ligados a defesa aérea, centros de comando, radares costeiros, sistemas de mísseis, drones, estruturas logísticas e capacidades marítimas.
Entre os locais atingidos estão áreas próximas a Bandar Abbas, principal cidade portuária do Irã no Estreito de Ormuz, além da Ilha de Qeshm e pontos da costa sul iraniana. Bandar Abbas é considerada estratégica por abrigar instalações navais e estruturas ligadas à Guarda Revolucionária, força de elite do regime iraniano.
A escalada ganhou ainda mais gravidade após relatos de ataques contra pontes, infraestrutura energética, estações ferroviárias, áreas portuárias e o aeroporto de Iranshahr, no sudeste do Irã. A imprensa estatal iraniana informou mortes em bombardeios contra pontes na província de Hormozgan, enquanto autoridades locais reconheceram pressão sobre a rede elétrica em províncias do sul do país.
Em resposta, o Irã prometeu ampliar a reação caso os ataques americanos continuem. O porta-voz militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que a guerra poderá se expandir para “novas arenas” e disse que grande parte das capacidades militares do país ainda não foi demonstrada. A declaração foi interpretada como um recado direto aos Estados Unidos e aos aliados americanos no Golfo.
Teerã também lançou ataques contra instalações ligadas aos Estados Unidos em países vizinhos. Relatos internacionais apontam ações contra alvos no Bahrein, Kuwait, Qatar, Jordânia e Síria. No Kuwait, autoridades informaram que uma usina de energia e dessalinização foi atingida, causando danos e incêndio. Na Jordânia, militares disseram ter interceptado mísseis lançados pelo Irã.
O avanço do conflito preocupa porque envolve não apenas os dois países diretamente, mas também bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio, aliados regionais de Washington e grupos armados apoiados por Teerã. Há temor de que a crise deixe de ser uma sequência de ataques calculados e se transforme em guerra regional aberta.
O Estreito de Ormuz é o eixo mais sensível dessa disputa. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é essencial para o transporte internacional de petróleo e gás. Com a intensificação dos ataques, o tráfego marítimo foi reduzido, navios passaram a enfrentar maior risco e o preço do petróleo voltou a subir nos mercados internacionais.
A crise também aumenta a pressão política sobre Donald Trump. O presidente americano defende que os ataques são necessários para proteger a navegação internacional e impedir que o Irã controle a passagem marítima. Ao mesmo tempo, enfrenta críticas pelo risco de levar os Estados Unidos a uma guerra prolongada no Oriente Médio, justamente o tipo de conflito que prometeu evitar durante sua campanha.
Do lado iraniano, o governo tenta demonstrar força sem perder completamente o controle da escalada. Autoridades de Teerã afirmam que responderão aos ataques e que não aceitarão pressão sobre seu território, suas forças militares ou sua influência sobre o Estreito de Ormuz. A ameaça de envolver outros pontos estratégicos, como rotas no Mar Vermelho, aumenta a preocupação com o impacto global da guerra.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, demonstrou preocupação com a escalada, especialmente diante dos ataques contra infraestrutura civil no Irã e em outros países da região. Especialistas em direito internacional alertam que ataques contra estruturas civis sem uso militar podem configurar violação grave das regras de guerra.
A nova fase do conflito mostra que o risco deixou de ser apenas diplomático. Com ataques diários, retaliações cruzadas, impacto no petróleo, ameaça à navegação internacional e envolvimento de países vizinhos, Estados Unidos e Irã se aproximam de um cenário de guerra em larga escala, com potencial para atingir toda a economia global.
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