Todos os dias, nas redes sociais, algum influencer é cancelado. E os motivos são sempre os mesmos. Porque disse algo “sem querer” em uma live, não levou em

Redação Publicado em 12/06/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h14
Todos os dias, nas redes sociais, algum influencer é cancelado. E os motivos são sempre os mesmos. Porque disse algo “sem querer” em uma live, não levou em conta valores de movimentos sociais e minorias ou emitiu uma opinião que não concorda com o que se considera ideal pela onda política-moral-digital.
E, então, gente que era considerada bacana e engajada vira o demônio, recebe sermões e precisa pedir desculpas por ter dito “algo que pode ter ferido alguém”, explicar posições políticas, chorar o cancelamento e o linchamento virtual.
Isso ocorre porque os movimentos políticos “sequestram” personalidades famosas e influencers digitais para que eles deem destaque a causas, bandeiras, posições. E, não sendo eles os detentores da argumentação para defendê-las, quando não têm roteiros montados, acabam dizendo aquilo que é opinião pessoal.
Observe o que aconteceu com a Xuxa nos últimos tempos. Ela foi de defensora de minorias a fascista em pouco tempo, porque deu vazão a algo arraigado na formação individual que, sim, demonstra a forma como foi criada, como se desenvolveu como personalidade pública, em tempos em que o que ela disse agora não causaria nenhum destaque na revista Contigo.
Portanto, o problema que temos é a forma como encaramos as personalidades no papel de lideranças políticas. Elas não são. Podem dar opiniões como qualquer cidadão, com erros e acertos, com olhares à esquerda ou à direita, mas não podem ser vistas como referências ideológicas.
Para isso, quem lidera os movimentos políticos precisa se expor, dizer o que pensa, criar o próprio espaço nas redes sociais e na discussão dos temas. No afã de tentar levar qualquer tema político para o clique fácil e um engajamento artificial, usa-se os famosos achando que, com isso, vai haver destaque ao que está na bandeira que agita.
Isso, além de frágil, é desonesto. E, então, precisa ser posto de lado. Temos que deixar Caio Ribeiro comentar futebol, Xuxa apresentar programas, Juliana Paes fazer novelas. Se eles quiserem falar de política, ótimo. Falam como cidadãos, indivíduos, eleitores. Mas não como lideranças, porque realmente eles não são.
Kleber Carrilho é professor, analista político e doutor em Comunicação Social
Instagram: @KleberCarrilho
Facebook.com/KleberCarrilho

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