O tema propósito vem crescendo a cada ano e me lembro que o último evento Corporativo presencial o qual atendi foi uma famosa conferência de negócios de

Redação Publicado em 12/06/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h07
O tema propósito vem crescendo a cada ano e me lembro que o último evento Corporativo presencial o qual atendi foi uma famosa conferência de negócios de impacto em San Francisco, na Califórnia, ainda no início de 2020. A estrutura foi incrível. Ideias brilhantes e pessoas criativas mantinham o propósito sempre em pauta. Porém, bem me recordo que, ao sair do evento zen, senti a mesma energia carregada do mundo Corporativo: plano de marketing, obter o maior número de seguidores possível, vender, expandir e lucrar. Os negócios que vendiam paz traziam inquietude e os que vendiam meditação traziam ansiedade. Logo notei que a espiritualidade era apenas mais uma vítima do nosso desastroso sistema econômico. Então, quais são as condições que vivemos que nem os negócios zen são livres de estresse e pressão?
É verdade que os negócios têm se esforçado para serem mais propositivos, atacando pautas mais sensíveis como a ambiental e a de diversidade e inclusão, por exemplo. Porém, esses negócios “do bem” ainda atuam num sistema “do mau”. Portanto, não é surpresa que os profissionais desses tipos de corporações acabem vivendo sob as mesmas condições de pressão daquelas de qualquer outro tipo de negócio.
Tendemos a apontar a hipocrisia para a espiritualidade, ao estúdio de yoga, ou até para a tão falada positividade tóxica. Porém, fundamentalmente, vivemos num modelo econômico que demanda crescimento para sobreviver, onde quem não for perfeito, produzir, atingir escala e lucrar, morre na praia. Logo, se o professor de yoga que voltar da Índia quiser abrir um estúdio, sob condições normais, ele precisará montar um plano de negócio, pedir dinheiro ao banco, gerar lucro e então pagar o capital mais o juros. Nosso sistema sempre terá mais divida do que dinheiro, porque foi assim que criamos as regras da impressão da moeda. Nesse caso, até o professor de yoga dependerá do crescimento do seu negócio.
Outro tema bastante em pauta é ouvirmos falar de dinheiro como energia da abundância, o que faz sentido até a página dois. Sob um olhar prático e realista, aquela pessoa que realmente quiser criar um app de meditação para seguir no flow e conceder eventuais descontos aos seus clientes, terá que contar com investidores generosos que considerem outros fatores que vão além da maximização do capital. Enquanto o foco for puramente no retorno financeiro, não importa a natureza do negócio, os funcionários continuarão a perder o sono para atingir as metas de lucratividade. Em outras palavras, num cenário idealizado, se todos os negócios passarem a ser conscientes e propositivos, temas como estresse, ansiedade e concentração de riquezas serão perpetuados.
A realidade é que criamos e vivemos numa cilada econômica. É assim que estamos jogando o jogo da Economia. Se quisermos transformar o nosso estilo de vida para termos mais qualidade e paz, precisamos reinventar estas regras, como por exemplo, falarmos além do PIB, considerarmos desaceleração econômica e juros negativos, além de trazermos a renda básica universal para pauta. Caso contrário, o Namastê continuará precisando ser capitalizado para sobreviver.

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