Dr. Fábio Pagnozzi

Redação Publicado em 11/04/2022, às 00h00 - Atualizado às 11h49
Dr. Fábio Pagnozzi
A definição de injustiça social tende a ser múltipla, a depender do aspecto e das condições em que é analisada. De modo simples e sucinto, o padrão de injustiça ocorre quando dois indivíduos semelhantes e em iguais condições recebem tratamento desigual.
Todos sabem que a justiça é feita pelos homens, e por isso mesmo ela se aperfeiçoa à medida que as sociedades também se desenvolvem, não apenas economicamente, mas principalmente ao ampliar os direitos civis, políticos e/ou sociais da população.
Na atualidade, são sabidas e diversas as pesquisas sociais que confirmam que a injustiça social atinge determinados grupos sociais, como por exemplo: as mulheres recebem salários menores que os homens, ocorrendo o mesmo com os negros e a violência afeta muito mais os jovens que possuem baixa escolaridade e os que estão desempregados.
É notório que o Brasil não é um país pobre, no entanto, também é visível a má distribuição dos recursos produzidos. Parte de nossas riquezas está nas mãos de poucas pessoas/famílias/empresas, enquanto parte considerável da população não tem acesso a emprego, educação, saúde, moradia, alimentação, etc. Não se pode ignorar que a impunidade e a corrupção também contribuem intensamente para o agravamento do quadro.
Historicamente, os governos brasileiros gastaram mal os recursos destinados às áreas sociais. E pior, muitos deles usam os programas sociais para fazer de parte da população seu “curral eleitoral”, fora isso, uma forma errônea de apresentar os números desses projetos fazem com que pareça que é bom sempre termos bem mais pessoas atendidas ou cobertas pelos programas sociais. Onde na verdade a porta de saída dos programas sociais deveriam ser maiores que a porta de entrada, sendo o Estado um agente de ajuda temporária e propulsora para o individuo voltar a produzir, voltando assim a ter sua dignidade mínima e com isso contribuindo para menos injustiça social.
É de se lamentar e indignar que em pleno século XXI ainda existam milhares de pessoas morrendo de fome e/ou vivendo em situação de miséria absoluta.
O certo é que no regime democrático, mesmo sendo recente no Brasil, surgem possibilidades da participação, do debate e da indignação popular frente às injustiças sociais. E este tema deve sempre permear o debate público, pois somente através de políticas sociais efetivas e não paliativas que vamos conseguir, mesmo que aos poucos, vencer este cenário.
E termino com uma frase muito significativa de Martin Luther King: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar.”
Dr. Fábio Pagnozzi, advogado Criminalista

Indicado por Orlando Morando à Faculdade de Direito é alvo do Gaeco por corrupção e lavagem de dinheiro

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