Afinal, você deve ou não acreditar nas pesquisas?

Redação Publicado em 15/01/2022, às 00h00 - Atualizado em 16/01/2022, às 16h58
Afinal, você deve ou não acreditar nas pesquisas?
Por Kleber Carrilho
É interessante como, principalmente nos anos eleitorais, as pessoas discutem se devem ou não acreditar nas pesquisas. Então, vamos conversar de forma clara, para que não restem dúvidas. Ou, pelo menos, não restem as mesmas dúvidas.
Primeiramente, pesquisa não é divindade. Portanto, você acreditando ou não, elas vão continuar a existir. Por um motivo muito simples: no ambiente instável da opinião pública e dos projetos políticos, elas dão ideias de tendências e movimentos para quem desenvolve estratégia e comunicação.
Isso quer dizer que as pesquisas, originalmente, não têm a função de informar os eleitores, mas sim os estrategistas, para que, a partir da observação, eles sejam capazes de adaptar os caminhos.
Por serem referências da realidade, elas não têm (e nunca tiveram) a intenção de antecipar o futuro. Pelo contrário, a função delas é dizer o que está acontecendo hoje, para que se modifique o futuro a partir da competência de quem trabalha nas campanhas eleitorais.
Então, quando alguém diz que o Datafolha errou aqui, o Ibope acertou ali, está usando as pesquisas para o que elas não servem. Na verdade, quando se diz que houve um resultado diferente do que a pesquisa dizia, demonstra-se um trabalho eficiente de quem estava no comando da campanha que poderia ter perdido uma eleição.
Se você está pensando em 2018, na eleição de Bolsonaro, isso fica claro. Os estrategistas dos adversários não notaram um movimento: o poder da disseminação das mensagens pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagem. Continuaram a apostar na presença na televisão, enquanto ninguém mais estava preocupado com isso. Um exemplo foi a campanha de Alckmin, que teve muito tempo na tela, mas foi inexpressiva nas urnas.
Neste momento, o que as pesquisas mostram, com a queda do presidente e uma tendência de que Lula vença, é somente o que está na cabeça das pessoas até agora. Depende da capacidade de quem vai comunicar a possibilidade de mudar o cenário e construir outra realidade.
Porque, senão, nem precisaria ter eleição. Faríamos uma rodada de pesquisas e definiríamos quem seria o próximo presidente.

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