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COLUNA

A Solidão Secreta Depois dos 30

A solidão não é apenas a falta de companhia, mas a ausência de conexões profundas e significativas. - Imagem: Reprodução | Freepik
A solidão não é apenas a falta de companhia, mas a ausência de conexões profundas e significativas. - Imagem: Reprodução | Freepik

Lele Abdala Publicado em 18/08/2025, às 07h22


Pouca gente tem coragem de admitir, mas existe uma solidão que começa a pesar depois dos 30. 
Não é a solidão de estar sem companhia no sábado à noite, nem de não ter alguém para responder mensagens.

É algo mais profundo: a sensação de que, mesmo cercado de pessoas, ninguém realmente nos vê.

Na infância, fazíamos amigos na rua, na escola, em qualquer lugar.

Na juventude, havia tempo e energia para encontros, risadas longas e madrugadas inteiras conversando. 
Mas depois dos 30, o ritmo muda. O trabalho consome, as responsabilidades crescem, alguns casam, outros mudam de cidade, outros se fecham em suas próprias batalhas silenciosas. E, de repente, você percebe que o círculo se estreitou.

A solidão adulta é invisível porque se disfarça bem. Postamos fotos sorrindo, mas a verdade é que muitos vivem dias em que não recebem uma ligação sequer. 
O celular toca para cobranças, mas raramente para uma conversa sem motivo. 
E isso dói. Dói porque somos seres relacionais. Carl Jung dizia: “A solidão não vem por não ter pessoas ao redor, mas por não conseguir comunicar o que é importante para si.”

Aos 30, já carregamos histórias, traumas, perdas. Nossas conversas pedem mais profundidade. Só que nem todos estão dispostos a esse mergulho. É aí que nasce o silêncio entre os amigos, a distância nos relacionamentos, o vazio que a correria disfarça.

Osho dizia: “Relacionar-se é a maior aventura da vida. É ir em direção ao desconhecido do outro.” Mas quem, na vida adulta, ainda se permite se arriscar de verdade no outro? O medo de não ser compreendido faz muita gente se esconder atrás da máscara do “tá tudo bem”.

E aqui está a polêmica: a solidão depois dos 30 não é falta de amigos, é falta de vínculos reais. A vida adulta nos ensinou a trocar profundidade por praticidade. Mas vínculos não se mantêm sozinhos: exigem tempo, presença e vulnerabilidade.

Gary Douglas, do Access Consciousness, propõe uma pergunta simples: “Quem eu poderia escolher ser hoje que abriria espaço para conexões reais?” Essa pergunta tira o peso da espera e nos devolve o poder da escolha.

Afirmação de Louise Hay:
“Eu atraio relações verdadeiras que me nutrem e me veem como sou.”

A solidão não é um fracasso.

Ela é um aviso de que sua alma pede mais verdade nos vínculos.

E eu te pergunto: quantas pessoas realmente sabem como você está? Quantas sabem da sua dor, da sua alegria, da sua história?

Responder isso pode ser desconfortável. Mas é nesse desconforto que renascem as conexões que importam.

Nos vemos na próxima coluna.

Com amor e presença,

Lele Abdala


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