
Rachel Sheherazade Publicado em 23/06/2026, às 15h48
Recentemente, vídeos de Flavio Bolsonaro e Julia Zanatta geraram polêmica ao promoverem a espetacularização da violência, insinuando a destruição de opositores políticos em um contexto de guerra urbana no Brasil.
Esses conteúdos refletem uma falta de propostas concretas para os problemas do país e transformam adversários em inimigos, instigando o ódio e desviando a atenção de questões graves como corrupção e ligações com milícias.
A mensagem central é que a política deve ser um espaço de diálogo e construção, não de violência, e que a democracia exige respeito mútuo entre governo e oposição, enfatizando que a verdadeira vitória política é conquistada nas urnas.
Nos últimos dias, dois videos - um do senador e pré candidato a presidência, Flavio Bolsonaro e outro da deputada catarinense Julia Zanatta, chamaram a atenção pela vulgaridade, pela cafonice, mas, especialmente, pela perigosa mensagem que encerram: a espetacularização da violência.
Numa postagem feita por IA, Flavio Bolsonaro surge como um Tom Cruise de meia idade, ao lado do pai, numa analogia tosca ao filme Top Gun, sucesso nos anos 80, que tratava de combates aéreos durante a guerra fria.
Já, a deputada cotada para vice na chapa da extrema direita aparece num video caseiro, com uma especie de metralhadora na mão, tentando se equilibrar num fusca preto, enquanto fogos de artificio simulam um bombardeio.
Em ambos os vídeos, a mesma estética: uma simulação de cenários de guerra urbana no Brasil. Em ambos os videos, a mesma insinuação: destruir os opositores.
Esse tipo de conteúdo me preocupa profundamente por que ele transforma adversários políticos em inimigos a serem eliminados.
Na política, não há inimigos. Existem, sim, divergências ideológicas, múltiplos valores e visões de mundo, existem projetos diferentes de país.
E é justamente para lidar com essa diversidade que a democracia foi criada.
O papel da política é exatamente o oposto do que insinuam os parlamentares da extrema direita: política foi feita para dialogar, construir pontes, aparar arestas, conciliar interesses legítimos e buscar soluções para os problemas reais da população.
Mas, quando a estética da guerra e da violência invade o debate público, além de instigar o ódio contra quem pensa diferente, ela esconde a ausência de propostas concretas para os problemas reais do Brasil.
Essa ode à violencia denuncia a falta de propósito e de propostas para o país.
Serve como cortina de fumaça para omitir o que de fato é importante.
Por que, ao pre candidato Flávio Bolsonaro, falta, ainda, explicar os milhões recebidos pelo banqueiro bandido, as ligações perigosas com milicianos, o enriquecimento duvidoso e as suspeitas de rachadinha, ou melhor, de peculato, que pairam sobre ele.
Enquanto a extrema-direita brinca de Rambo nas redes sociais, tudo o que é grave e necessário debater acaba jogado para debaixo do tapete.
Mas, é bom que se frise: a política não é um campo de batalha.
Numa democracia saudável, a vitória política não é alcançada pela força. Ela é conquistada nas urnas.
Quem vence, recebe do povo a responsabilidade de governar e definir os rumos da nação.
Mas o derrotado nas urnas não é destruído, nem eliminado da arena pública.
Aos vencidos cabe uma missão igualmente importante: fiscalizar, questionar, fazer oposição e exercer o contraditório de forma responsável.
Por que a democracia pressupõe tolerância mutua, e depende da existência do dito e do contradito, de um governo e de uma oposição.
Sugerir a violência contra os adversários é rejeitar a própria essência da politica.
É preciso insistir que política e guerra são caminhos distintos.
A guerra só triunfa quando a política falha.
Então, na democracia, é preciso escolher: ou você faz política ou você faz guerra.
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