Brasil venceu o Haiti por 3 a 0, Matheus Cunha foi o nome da noite, mas a entrada de Endrick deixou uma pergunta no ar para Ancelotti.

Ana Beatriz Publicado em 20/06/2026, às 00h08
O Brasil venceu o Haiti por 3 a 0, mas a atuação deixou a sensação de que poderia ter sido uma vitória mais expressiva, com um desempenho ofensivo mais contundente. Apesar do resultado positivo, a Seleção ainda busca uma identidade ofensiva mais forte.
Matheus Cunha foi o destaque da partida, marcando dois gols, enquanto Vinícius Júnior e Lucas Paquetá contribuíram com assistências importantes. O Haiti, embora limitado, mostrou resistência e conseguiu criar algumas oportunidades, mas não foi suficiente para ameaçar o Brasil.
No segundo tempo, a Seleção diminuiu o ritmo, o que levantou questionamentos sobre a busca por um saldo de gols maior em uma fase de grupos. A entrada de Endrick trouxe nova energia ao time, reforçando sua importância no elenco, mas a equipe ainda precisa de mais agressividade para se destacar na competição.
O Brasil venceu o Haiti por 3 a 0 e fez o que precisava fazer. Ganhou, convenceu em partes, respirou na Copa e mostrou que, quando acelera, ainda consegue transformar superioridade técnica em placar. Mas a sensação que fica é clara: caberia mais. Caberia uma vitória brasileira com sabor de chocolate.
A Seleção começou pressionando, ocupando o campo de ataque e empurrando o Haiti para trás. O primeiro tempo foi imponente, com domínio, volume e controle. Só que, mesmo quando mandava no jogo, faltava aquele molho que o torcedor brasileiro sempre cobra. Faltava agressividade contínua. Faltava fome de goleada. Faltava transformar superioridade em atropelo.
Ainda assim, quem decidiu foi Matheus Cunha.
O atacante foi a peça-chave da vitória brasileira. Abriu o placar aos 23 minutos, em lance que nasceu de uma finalização de Vini Jr defendida por Placide. A bola sobrou viva na área, e Cunha apareceu para empurrar para o gol. Não foi uma assistência limpa, daquelas de passe direto, mas teve participação decisiva de Vinícius Júnior na construção.
Depois, aos 36 minutos, veio o segundo. E aí sim com assinatura mais clara: Vini Jr arrancou, enxergou o espaço e serviu Matheus Cunha, que finalizou com força para ampliar. Foi o tipo de gol que mostra oportunismo, leitura de espaço e frieza. Cunha não apenas marcou duas vezes. Ele deu resposta. Mostrou que, em uma Seleção ainda procurando sua melhor forma ofensiva, pode ser muito mais do que uma opção de elenco.
O terceiro gol, já nos acréscimos do primeiro tempo, teve outro toque importante: Lucas Paquetá. Criticado em muitos momentos, ele encontrou um passe em profundidade para Vini Jr, que saiu na cara do gol e fez o 3 a 0 com tranquilidade. O Brasil foi para o intervalo com o placar resolvido, mas não necessariamente com a atuação completamente resolvida.
Porque o Haiti, mesmo limitado tecnicamente, mostrou jogo de cintura. Não se entregou, tentou sair, buscou alguns momentos de posse e incomodou quando o Brasil relaxou. O problema é que, contra o calibre brasileiro, resistir não basta. O Haiti cedeu ao peso da camisa, à diferença técnica e principalmente à eficiência de Matheus Cunha no primeiro tempo.
No segundo tempo, porém, a Seleção baixou a temperatura. O jogo ficou mais controlado do que vibrante. O Brasil parecia satisfeito com o resultado, como se o 3 a 0 fosse suficiente para encerrar qualquer discussão. Só que em Copa do Mundo, principalmente em fase de grupos, saldo pode pesar. E contra um adversário como o Haiti, a pergunta é inevitável: por que não buscar mais?
Foi nesse cenário que Endrick entrou.
Aos 64 minutos, Ancelotti colocou o jovem em campo. E bastou pouco tempo para ele mostrar o que representa. Endrick atacou espaço, deu presença de área, incomodou a defesa e chegou a balançar a rede aos 78 minutos. O gol, porém, foi anulado por impedimento após passe de Rayan. Ainda assim, o lance serviu como recado.
Endrick entrou, fez gol, mesmo impedido, e mostrou serviço.
A questão agora não é transformar Endrick em salvador da pátria. Isso seria exagerado e injusto. Mas também não dá para fingir que ele é apenas mais um. Ele tem algo que a Seleção precisa: presença, fome, agressividade e capacidade de mudar o clima de uma partida. Quando ele entra, o jogo parece ganhar outra energia.
Fica então a pergunta: foram as mastigadas no chiclete que fizeram o cérebro de Ancelotti funcionar ou foi a pressão de uma nação brasileira inteira pedindo Endrick?
Ancelotti tem currículo, tem experiência e sabe administrar elenco. Mas a Seleção Brasileira não vive apenas de currículo. Vive de cobrança, de camisa pesada e de um torcedor que reconhece rapidamente quando falta alguma coisa. Contra o Haiti, o Brasil venceu bem. Mas também mostrou que ainda precisa encontrar uma identidade ofensiva mais forte.
Matheus Cunha saiu como protagonista. Vini Jr participou diretamente dos gols e também deixou o dele. Paquetá apareceu com uma assistência importante. Endrick entrou no segundo tempo e, mesmo com o gol anulado, reforçou que não pode ser tratado como peça dispensável.
O placar foi 3 a 0. Foi uma vitória segura. Mas, pelo contexto, pelo adversário e pelo domínio do primeiro tempo, caberia mais.
Caberia chocolate.
E talvez o ingrediente que faltou para deixar essa vitória mais saborosa tenha sido colocado tarde demais.
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