Diário de São Paulo
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Rachel Sheherazade

Não há ato mais revolucionário que aprender

Imagem: Reprodução
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Rachel Sheherazade Publicado em 16/06/2026, às 11h42


A educação no Brasil historicamente tem sido um instrumento de poder, onde as elites mantêm os pobres afastados das escolas para preservar seu privilégio e controle social.

A falta de acesso à educação tem perpetuado a desigualdade, mantendo os mais pobres em posições subalternas e servindo aos interesses das classes dominantes, que se beneficiam da ignorância da massa.

A luta pela democratização do acesso à educação superior é vista como uma transformação essencial para a sociedade, desafiando as estruturas de poder e promovendo a consciência crítica entre os cidadãos.

Restringir a educação sempre foi um projeto de poder.

Para garantir seu lugar de privilégio, os mais ricos sempre mantiveram os mais pobres longe das escolas.

Estudar foi, historicamente, um  direito exclusivo das classes mais abastadas.

O acesso a tutores, escolas e universidades garantiu aos mais ricos sua perpetuação nos espaços de poder econômico, politico e social.

Contrariamente, a ignorância manteve os mais pobres paralisados na base da pirâmide social, servindo como massa de manobra política, mão de obra barata e excedente de trabalho para serem explorados.

E ninguém questionava as estruturas sociais, por que elas pareciam naturais. 

O rico era rico e o pobre era pobre por destino, vontade divina, mérito…

Nao cabia a ninguém questionar.

O sociológo Darcy Ribeiro afirmava que  “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto.”

Durante séculos, as elites econômicas brasileiras construíram sua riqueza sobre a escravidão, a concentração de terras e a exploração da mão de obra barata.

E, para isso, os ricos precisavam de gente obediente, resignada e sem acesso à educação, que é o principal instrumento de ascensão social.

Eles nao querem que a massa saiba, mas a educação é transformadora.

Para Paulo Freire, patrono da educação brasileira, a educação que transforma não é a que ensina a somar e soletrar, mas aquela que nos faz pensar,  questionar, demandar…

A educação que liberta não é aquela que te condiciona, te limita, te conforma, é aquela que te permite ir contra e ir além.  

Ir contra um sistema que quer te manter explorado, alienado, adestrado, preso à coleira, ao arado, ao cabresto, à viseira, que não te permite enxergar ou buscar seu próprio caminho.

É por isso que é preciso ir além. 

Por que não basta ser alfabetizado.

Ir além das letras e numerais é indispensável para formar consciência critica.

É ela que desperta da ignorancia, que ensina a ler o mundo e questionar as desigualdades, as injustiças e os privilégios.

É por isso que os donos do poder exortam os pobres a não estudar. 

Dizem que as universidades são antros de maledicência, doutrinação, que educação é perda de tempo.

Mas, apesar do que eles recomendam para o povo, seus filhos e netos continuam entrando e saindo das universidades com diplomas, educacao, formação e um futuro garantido.

Darcy Ribeiro e Paulo Freire entenderam isso há décadas, por isso são tão demonizados. 

A luta pela educação nunca foi apenas pedagógica. 

Sempre foi uma disputa sobre quem pode pensar, decidir e ocupar os espaços de poder na sociedade.

E é exatamente por isso que democratizar o acesso à universidade continua sendo uma das transformações mais revolucionárias que um país pode promover.

E não ha ato mais revolucionário do que ensinar e aprender.


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