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COLUNA

O Silêncio do Relacionamento Abusivo

Imagem: Reprodução/Magnific
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Ap. Queila C Martines

por Ap. Queila C Martines

Publicado em 17/06/2026, às 13h05


Nem toda prisão tem grades. Algumas têm sorrisos, desculpas e promessas de mudança.

Tem mulher que vive num relacionamento que, por fora, parece normal. Não há marcas visíveis. Não há gritos na vizinhança. Há jantares, viagens, fotos bonitas nas redes sociais. E, mesmo assim, ela acorda todo dia com um peso no peito que não consegue explicar nem para si mesma.

Isso se chama abuso silencioso. E ele é perigoso exatamente porque é invisível, para quem está de fora e, muitas vezes, para a própria mulher que o vive.

O abuso silencioso não chega de uma vez. Ele vai chegando aos poucos, uma crítica aqui, um controle ali, uma humilhação disfarçada de brincadeira, um isolamento construído com ciúmes. Devagar, ela vai acreditando que o problema é ela. Que ela é sensível demais. Que exagera. Que não merece mais do que aquilo.

E o silêncio vai se instalando. Ela para de contar o que sente. Para de pedir o que precisa. Para de ser quem era. Não porque escolheu, mas porque aprendeu que falar tem um preço alto demais.

Se você se reconheceu nessas palavras, precisa ouvir isto com toda a clareza: o que você sente é real. Você não está exagerando. Você não está louca. E você não está sozinha.

Busque ajuda. Converse com um psicólogo, uma líder espiritual, uma mentora ou uma amiga de confiança. Em casos de violência, ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas, gratuitamente. Sair do silêncio é o primeiro ato de quem decide se salvar.

REFLEXÃO PESSOAL

Pegue um caderno. Responda com honestidade:

Você já silenciou o que sentia para evitar conflito ou pagar um preço alto demais?

Como você se sentia antes desse relacionamento?

Essa mulher ainda existe em você?

Se uma amiga descrevesse o que você vive, o que você diria a ela?


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