
por Agenor Duque
Publicado em 04/11/2025, às 11h23
Enquanto os índices de Wall Street celebram novos recordes, Warren Buffett prefere o silêncio das retiradas estratégicas. A Berkshire Hathaway, sua lendária holding, voltou a vender ações, e não são poucos os zeros. Foram mais de US$ 6,1 bilhões alienados no último período, elevando para US$ 184 bilhões o total vendido em apenas três anos.
O movimento chama atenção: enquanto investidores se empolgam com o rali das bolsas, Buffett age na contramão. O velho conselho do “tenham medo quando todos estão gananciosos” volta a ecoar. De acordo com relatórios enviados ao regulador norte-americano, a Berkshire vem sendo vendedora líquida há dez trimestres consecutivos, o que indica um reposicionamento deliberado diante de um mercado supervalorizado.
Boa parte das vendas recaiu sobre gigantes que antes eram símbolos de estabilidade. Apple Inc. e Bank of America tiveram participações reduzidas de forma expressiva, enquanto novas apostas discretas surgiram, como o reforço de posição na Constellation Brands, produtora de bebidas. O dinheiro, por sua vez, não desapareceu, apenas mudou de forma.
As reservas de caixa da Berkshire atingiram o patamar histórico de US$ 382 bilhões, boa parte aplicada em Títulos do Tesouro americano, com rendimento em torno de 4,3%. Para o investidor-símbolo da paciência, a mensagem é clara: esperar também é investir.
Analistas veem nessa acumulação de liquidez uma postura de cautela diante de um cenário de juros ainda altos e múltiplos recordes nas bolsas. O movimento de Buffett contrasta com o otimismo que domina os pregões, e talvez seja exatamente isso que o torna, mais uma vez, uma voz solitária e profética.
Enquanto muitos correm para comprar o topo, o “Oráculo de Omaha” recua para observar. E, se a história serve de guia, quando ele voltar às compras, é porque o medo já terá voltado a dominar o mercado.

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