
Adriana Galvão Publicado em 19/12/2024, às 12h30
Temos mostrado, em várias ocasiões, ímpetos de comemorar a conquista de espaço e voz das mulheres brasileiras. É fato, elas ultrapassam barreiras heroicamente e são cada vez mais protagonistas das cenas social, política e profissional. Paralelamente, um machismo medieval, violento, insiste em se pronunciar, temeroso de que o patriarcalismo que historicamente caracteriza a sociedade brasileira esteja nos estertores.
Não é hora de baixar a guarda. Ao contrário, o momento requer atitude.
O Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a Consulting Brasil e com apoio do Ministério das Mulheres, realizou em outubro de 2024 uma pesquisa denominada “Medo, ameaça e risco: percepções e vivências das mulheres sobre violência doméstica e feminicídio”, da qual participaram, respondendo a um questionário, 1.353 mulheres com idade a partir de 18 anos. Os resultados são estarrecedores:
Eis o que disse a diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo: “A pesquisa revela que as mulheres consideram que houve um aumento dos casos de feminicídio nos últimos anos e essa percepção se deve principalmente à sensação de impunidade e também de descrédito em relação à efetividade das políticas públicas de prevenção e responsabilização para os autores desses crimes. As mulheres entrevistadas destacaram que as vítimas de ameaças de parceiros têm muito medo e precisam do apoio do Estado para saírem dessas relações violentas e serem protegidas contra as ameaças de morte e o risco real de feminicídio".
Outro dado relevante do estudo: dentre as entrevistadas que sofreram ameaça ou violência, apenas 37% denunciaram o ocorrido à polícia. Ainda mais preocupante: só 30% relataram o fato a algum familiar ou amigo.
Sabe-se que a maioria absoluta dos ataques violentos a mulheres acontece dentro de casa, motivada por ciúme do homem e por um arraigado sentimento de posse. É de origem cultural, portanto, essa chaga que parece ainda muito distante de ser sanada. De outra parte, o Estado precisa dar garantias de segurança à mulher ameaçada ou agredida, e deve ir além: é necessário encorajá-la a denunciar não só em defesa própria, mas também quando casos de violência contra outras mulheres chegarem ao seu conhecimento.
Uma postura proativa contra o agressor deve se sobrepor ao silêncio. O sofrimento calado encoraja o agressor covarde. Além do mais, conviver com o subjugo contamina a saúde mental, fragiliza emocionalmente. Não por acaso, de cada 10 diagnósticos de ansiedade e depressão realizados no Brasil, sete são de mulheres.
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