
Adriana Galvão Publicado em 31/10/2024, às 06h00
A despeito de discriminações e preconceitos persistentes, a mulher cada vez mais é protagonista no mercado de trabalho, ainda que receba, em geral, honorários menores que o homem em funções idênticas. Essa aberração há que ser superada, em nome da equidade de gênero almejada. A verdade salta aos olhos: chegou a hora de a mulher forte laboral e intelectualmente deixar de ser vista como exceção.
País essencialmente agrícola até bem pouco tempo atrás, o Brasil hoje possui uma economia diversificada, com indústria e serviços posicionados para novos saltos de produtividade, ainda que sujeitos a contratempos macroeconômicos. Nesse cenário, um único setor mostra-se pujante a qualquer tempo, constituindo o carro-chefe da economia nacional: o agronegócio. E é no agronegócio que a mulher começa a exercer uma liderança inédita.
Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas constatou que, atualmente, 34% dos cargos de gestão no agronegócio são ocupados por mulheres. Cerca de 1 milhão de mulheres comanda a produção agrícola em mais de 30 milhões de hectares no Brasil. Outro estudo, este da Associação Brasileira do Agronegócio, apurou que 59,2% delas são proprietárias ou sócias de empresas do setor, 30,5% integram diretoria ou atuam como gerentes, administradoras ou coordenadoras, e 10,4% são funcionárias ou colaboradoras. Os percentuais são portentosos.
Em 2019, Carla Rossato ganhou o Prêmio Mulheres no Agro. Veterinária por formação, produtora de soja e milho e criadora de gado de corte no Paraná, Rossato deu a seguinte declaração à imprensa: “Muitas vezes, quando um homem e uma mulher estão concorrendo a uma vaga de liderança, o homem é contratado mesmo que a mulher comprove ter as mesmas competências, habilidades e formações. Por isso, é comum vermos mulheres que se preparam para ir além e mostrar que podem ocupar a liderança. Isso tem inspirado cada vez mais mulheres".
Em síntese, Carla Rossato afirmou que a mulher topa o desafio. No caso do agro, ressalte-se, trata-se de um desafio do tamanho do machismo histórico brasileiro, pois a figura do “coronel” dono de terras ainda não foi totalmente extirpada. Figura um tanto caricata, explorada à exaustão pelo cinema e pela televisão, porém uma figura real, que resiste ao tempo, avessa à mulher que não se limite aos afazeres domésticos, avessa à produção sustentável, despreocupada com responsabilidades ambientais.
Ousamos dizer que a face moderna do agronegócio, justamente a face anticoronelista, é feminina e tem tudo a ver com a superação de dogmas patriarcais. Hoje, a mulher do campo não está exclusivamente na cozinha da fazenda. Ela rompe uma barreira chamada hierarquia de gênero para desenvolver estratégias de produção, aprender e ensinar agricultura orgânica, promover segurança alimentar, implementar técnicas rurais que não comprometam o meio ambiente, gerir, enfim, grandes empresas exportadoras.
O protagonismo da mulher no agronegócio é sinal de que o Brasil evolui como nação.
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