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Marcus Vinícius de Freitas: Menos ideologia, mais pragmatismo!

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Marcus Vinícius de Freitas: Menos ideologia, mais pragmatismo!

Menos ideologia, mais pragmatismo!

Marcus Vinicius de Freitas

A recente manifestação do Vice-Presidente, Hamilton Mourão, relativa à importância da inclusão da Huawei na licitação internacional do Brasil quanto à tecnologia 5G é um excelente sinal. Por algum tempo, o Brasil tem perdido tempo precioso discutindo uma questão de natureza técnica como algo ideológico. Infelizmente, ao longo de nossa história, o Brasil tem perdido muito tempo debatendo determinadas questões sem levar em consideração a importância de se tomarem medidas efetivas que possibilitem ao País avançar mais rapidamente. Desperdiçamos um tempo enorme discutindo o padrão de televisão, a compra dos caças Gripen e até mesmo sofremos muito em razão do enorme atraso resultante da famigerada Lei da Informática (1984), que, sob o pretexto da soberania nacional, condenou o Brasil a ter um parque atrasado de computadores por muitos anos. Como resultado destas discussões infindáveis, nem sempre terminamos com as soluções mais brilhantes. Especial destaque deve ser dado à nossa moderna tomada de 3 (três) pinos.

Por outro lado, vemos na China, um país onde “não importa a cor do gato, contanto que ele cace o rato” – como bem afirmou Deng Xiaoping – o pragmatismo sera peça fundamental que rege o processo de desenvolvimento e crescimento econômico. Assim foi que a a China conseguiu produzir uma revolução econômica, retirando mais de 700 milhões de pessoas da pobreza absoluta e transformando a sua economia na maior do mundo (em paridade do poder de compra). É preciso haver vontade, trabalho e pragmatismo.

O Brasil e a China podem atuar juntos, de modo inteligente, para desenhar uma nova ordem global. Nossas possibilidades são maiores com os chineses do que com os atuais parceiros. Diferentemente do relacionamento com a União Europeia e os Estados Unidos da América, onde os ganhos quando ocorrem – são marginais, as vantagens do relacionamento sino-brasileiro têm representado um incremento mútuo substancial econômico. Com quase 1.4 bilhão de habitantes e um poder aquisitivo crescente, a China já provou o seu enorme interesse no Brasil, seja como seu maior parceiro comercial desde 2009, ou como investidor. 

Equivocadamente, alguns sinofóbicos, sem oferecer alternativas que façam sombra ao impacto econômico da China no Brasil, lograram espaço e voz no governo atual. Seus pontos-de-vista são sempre baseados no medo – “a espionagem da Huawei” – ou na difamação – “o vírus chinês”, jamais levando em consideração os enormes ganhos que o relacionamento bilateral tem gerado para o Brasil.  A realidade é que suas críticas – e os números comprovam – são meras teorias infundadas de conspiração.

Não é do interesse do Brasil tentar fraturar um relacionamento que nem mesmo os Estados Unidos – “o país líder do mundo livre” – no auge da “guerra comercial” quiseram arriscar. O Brasil precisa e deve é buscar formas de, trabalhando em conjunto com o gigante asiático, agregar efetivo valor aos seus produtos e garantir maior acesso ao bilionário mercado chinês. É importante incrementarmos o número de empresas chinesas no Brasil e brasileiras na China. Precisamos agregar valor, utilizar o Nordeste como plataforma de exportação para os mercados consumidores do Norte Global, e acrescentar maiores ganhos de produtividade e competitividade. Para tanto, o Brasil precisa construir cidades inteligentes.

Uma visita aprofundada à China, nas mais variadas cidades, deveria fazer parte do currículo de qualquer administrador público brasileiro bem-intencionado. O nível de organização, fluxo, segurança e produtividade resultante da infraestrutura construída nas cidades chinesas deveria auxiliar os agentes públicos brasileiros ao repensarem suas estratégias de desenvolvimento urbano, criação de centros de excelência e melhoria da qualidade de vida urbana.

À China interessa um parceiro forte nas Américas em sua estratégia de ascensão global. Ao Brasil interessa dar um salto qualitativo em sua competitividade e produtividade para conseguir melhorar a estagnada renda per capita de sua população. A China possui os recursos econômicos e tecnológicos que o Brasil precisa, além de um vasto mercado. A tecnologia 5G – ao invés de separar-nos – pode servir como um estímulo ao incremento do relacionamento bilateral. O Brasil, mais do que ninguém, precisa de uma melhora substancial em sua tecnologia e Internet. A pandemia provou para cada brasileiro o quanto ainda o País precisa avançar tecnologicamente. Não é uma questão ideológica. É puro pragmatismo.

O Presidente Jair Bolsonaro esteve na China em outubro de 2019. está na hora de começar a fazer as malas para outra viagem à potência asiática. Em 14 anos de mandato, Angela Merkel esteve na China 12 vezes. Em todas, logrou construir uma relação bilateral muito positiva. Talvez com uma maior proximidade, muitas das perspectivas equivocadas sejam mudadas. E caminhemos juntos, como parceiros iguais.

Marcus Vinicius de Freitas, Advogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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