Catarina Gonçalves falou pela primeira vez após o anúncio do falecimento do ator

Redação Publicado em 31/05/2022, às 00h00 - Atualizado às 13h09
Catarina Gonçalves, filha do ator e diretor Milton Gonçalves, que morreu na segunda-feira (30) aos 88 anos, declarou que a partida do pai ocorreu lentamente e sem sofrimento. Ela também classificou o momento como bonito e “sem dramas”.
“A morte dele foi muito calma, muito bonita. Eu estava ao lado dele e foi como se ele estivesse indo dormir. Foi muito calmo. Apesar dele ser um grande ator dramático, não teve nada de drama nesse momento. Foi muito calmo”, disse Catarina em entrevista ao portal g1.
Ela relatou que presenciou a morte do pai, que aconteceu às 12h30, enquanto estavam em casa no Rio de Janeiro. Segundo Catarina, o artista demonstrava sinais de cansaço há meses em decorrência das sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2020. Em virtude do incidente, Milton Gonçalves ficou três meses internado e precisou da ajuda de aparelhos para respirar.
“De uns meses para cá, ele começou a ficar muito cansado. O AVC foi tomando conta e ele apresentava alguns sinais, como a pressão baixando. Nos últimos dias, ele passou mal, mas nada de muito grave”, explicou.
Em entrevista à revista Época, em janeiro, Catarina Gonçalves contou que o pai as consequências do AVC também afetaram gravemente as capacidades do pai de falar e andar. Por isso, ele fazia todos os dias sessões de fisioterapia e fonoaudiologia.
O corpo de Milton Gonçalves será velado no Theatro Municipal, no Centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (31), a partir das 9h30. A cerimônia será aberta ao público. Em seguida, a partir das 13h00, o corpo do ator será levado para o Cemitério São Francisco Xavier, no bairro Caju, onde será cremado.
Procurado pela imprensa, o filho de Milton Gonçalves, o ator Maurício Gonçalves, ressaltou a importância de seu pai para a história do teatro e da teledramaturgia, especialmente por ter sido um artista negro que venceu preconceitos para conquistar reconhecimento.
“Esse Milton que as pessoas não conhecem, batalhador. Nunca deixou cair a peteca no que tange aos filhos. O maior ensinamento meu pai me passou: ser guerreiro, nunca abaixar a cabeça a não ser para os sábios, mas lutar o tempo todo”, disse. “Ele sempre voou e gerou esses frutos. A gente tenta fazer o melhor possível, a gente tenta honrar essa memória do meu pai. A gente tenta fazer o melhor, mas é lutar para tentar chegar perto”.
Milton Gonçalves foi considerado um dos maiores atores de sua geração e ficou conhecido por trabalhos na televisão como “O Bem-Amado” (1973) e as primeiras versões de “Pecado capital” (1975) e “Sinhá Moça” (1986).
O ator fez mais de 40 novelas na TV Globo, onde também estrelou programas humorísticos e minisséries de sucesso, como “Irmãos Coragem” (1970), “A Grande Família” (1972) e “Escrava Isaura” (1976). Além das séries “Carga Pesada” (1979) e “Caso Verdade” (1982-1986).
Um dos papéis mais notórios de sua carreira foi como o escravo Pai José no remake da novela “Sinhá Moça” (2006), com o qual Milton foi indicado ao prêmio de Melhor Ator no Emmy Internacional. Na cerimônia, ele apresentou o prêmio de Melhor Programa Infanto-juvenil ao lado da atriz americana Susan Sarandon. Milton foi o primeiro brasileiro a apresentar o Emmy. O seu último trabalho nas novelas foi em “O Tempo Não Para” (2018), no papel do catador de materiais recicláveis Eliseu.
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