Ministério da Saúde intensifica campanhas de vacinação e destaca a importância da participação da população para conter a disseminação do vírus
Gabriela Nogueira Publicado em 12/09/2025, às 17h14
Em agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta significativo, após observar um aumento alarmante de 34 vezes no número de casos de sarampo em comparação com o ano anterior. Dez países nas Américas relataram ocorrências da doença, totalizando mais de 10 mil confirmações e resultando em 18 mortes.
Os óbitos estão concentrados principalmente no México, com 14 registros, seguidos pelos Estados Unidos com 3 e pelo Canadá com 1. No Brasil, as estatísticas mais recentes indicam 24 casos até o final de agosto, sendo 19 deles no Tocantins. Apesar de estar entre os países com menor incidência na região, o Brasil permanece em estado de alerta devido à alta capacidade de transmissão do vírus.
A Dra. Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), enfatiza a necessidade urgente de aumentar a cobertura vacinal. "O sarampo é altamente contagioso. É crucial que alcancemos, no mínimo, 95% de cobertura vacinal para criar uma proteção coletiva eficaz e diminuir o número de pessoas suscetíveis ao vírus", afirmou.
Considerado uma doença altamente contagiosa, o sarampo se propaga pelo ar através das secreções de indivíduos infectados e pode afetar pessoas de todas as idades. Seus sintomas incluem febre alta, erupção cutânea que se espalha por todo o corpo, congestão nasal e irritação ocular. Em casos mais graves, a doença pode levar a complicações severas como pneumonia, encefalite, diarreia intensa e até cegueira, especialmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico comprometido.
Historicamente, até o início da década de 1990, o sarampo era uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente, resultando em aproximadamente 2,5 milhões de mortes anuais, a maioria entre crianças. Contudo, a ampliação da cobertura vacinal alterou esse panorama, permitindo que vários países reduzissem os casos e alcançassem a eliminação endêmica da doença em diversas regiões. Nas Américas, essa conquista foi oficialmente reconhecida em 2016.
Entretanto, essa vitória não implica na erradicação total do vírus. O risco de reintrodução permanece elevado, especialmente em locais onde a cobertura vacinal é insuficiente. De acordo com dados da Opas, a maioria dos casos reportados em 2025 ocorreu entre indivíduos não vacinados ou cuja situação vacinal era desconhecida.
A imunização contra o sarampo exige a aplicação de duas doses da vacina. No Brasil, o calendário vacinal estabelece a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade. Campanhas específicas podem incluir outras faixas etárias.
A Dra. Siqueira ressalta que "as crianças sem registro das duas doses na caderneta não estão totalmente protegidas". Ela afirma que seguir rigorosamente o calendário vacinal é fundamental para evitar o ressurgimento do sarampo.
A Opas observa que a cobertura vacinal nas Américas ainda não atingiu os 95% necessários para interromper a propagação do vírus. Em 2024, apenas 89% da população recebeu a primeira dose da vacina tríplice viral e somente 79% completaram a segunda.
No Brasil, a situação é mais otimista comparada à média continental. Após anos em queda, a cobertura vacinal começou a aumentar novamente em 2023 e obteve resultados significativos em 2024. Dados do Ministério da Saúde revelam que o número de municípios que atingiram a meta de vacinação de 95% contra sarampo, caxumba e rubéola na segunda dose do tríplice viral mais que dobrou nos últimos dois anos.
Em resposta ao aumento dos casos nos países vizinhos, o Brasil intensificou suas campanhas de imunização tanto nas regiões fronteiriças quanto no restante do território nacional. No Sul do país, a reativação da Comissão Binacional de Saúde com o Uruguai resultou em uma mobilização significativa nas cidades gêmeas de Sant'Ana do Livramento e Rivera.
Além disso, o Ministério da Saúde tem promovido diversas campanhas chamadas "dias D" de vacinação contra o sarampo em diferentes estados. Em julho passado, ações foram realizadas em cidades fronteiriças nos estados do Acre, Mato Grosso e Rondônia, aplicando cerca de três mil doses. Em agosto, todos os municípios de Mato Grosso do Sul participaram da iniciativa.
A Dra. Siqueira reforça que nenhuma estratégia terá sucesso sem a colaboração da população: "Em parceria com as secretarias estaduais e municipais, estamos atuando nas localidades com casos confirmados para conter a disseminação do vírus. Contudo, esse esforço depende crucialmente da participação ativa da comunidade: procurar serviços de saúde ao apresentar febre acompanhada por exantema e manter a vacinação atualizada são passos essenciais".