Especialistas afirmam que 80% dos casos poderiam ser evitados
Gabriela Nogueira Publicado em 29/10/2025, às 16h36
Especialistas apontam que a adoção de hábitos saudáveis e o controle da pressão arterial podem reduzir significativamente a incidência do acidente vascular cerebral (AVC), uma condição que tem se tornado cada vez mais prevalente entre os jovens.
No inverno, o risco de infarto e AVC pode aumentar em até 30%, conforme alertam profissionais da saúde. O AVC é uma das principais urgências médicas no Brasil, figurando como uma das maiores causas de mortalidade no país. Ao lado do infarto, as doenças cardiovasculares, das quais o AVC é um dos principais representantes, respondem por aproximadamente 30% dos óbitos anuais, conforme dados do Ministério da Saúde.
Entre janeiro e outubro deste ano, o Brasil registrou 64.471 mortes atribuídas ao AVC, o que equivale a uma vida perdida a cada seis minutos. No ano anterior, o número totalizou 85.457 fatalidades, mantendo o país entre os líderes globais na carga dessa doença. O custo financeiro associado ao tratamento de pacientes com AVC também é alarmante: entre 2019 e setembro de 2024, foram gastos R$ 910 milhões pelo sistema de saúde, resultando em mais de 85 mil internações, sendo que um em cada quatro pacientes necessitou de cuidados intensivos.
No Dia Mundial do AVC, celebrado hoje, dia 29 de outubro, especialistas reiteram que até 80% dos casos são evitáveis através do controle da hipertensão arterial, prática regular de atividades físicas e abandono do tabagismo.
Os tipos de AVC são classificados principalmente em duas categorias: o isquêmico, que representa cerca de 85% dos casos e ocorre devido ao bloqueio de vasos sanguíneos que irrigam o cérebro; e o hemorrágico, responsável por aproximadamente 15% dos casos, caracterizado pela ruptura de um vaso sanguíneo e consequente sangramento no tecido cerebral.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), a incidência do tipo isquêmico tem apresentado um aumento preocupante de 66% entre brasileiros com menos de 45 anos na última década. O neurocirurgião Orlando Maia alerta para a mudança no perfil da doença, que antes era predominantemente associada aos idosos. Fatores como obesidade crescente, sedentarismo, uso de cigarros eletrônicos e anticoncepcionais hormonais estão contribuindo para esse aumento entre os adultos jovens.
Os riscos adicionais incluem condições cardíacas como a persistência do forame oval e a combinação perigosa entre tabagismo e uso de contraceptivos hormonais nas mulheres. O neurocirurgião Feres Chaddad enfatiza que hábitos modernos como estresse constante e alimentação inadequada aceleram o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes em idades precoces.
Os sintomas do AVC surgem abruptamente e requerem intervenção imediata. Sinais típicos incluem fraqueza em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou entender conversas, dor de cabeça intensa e perda súbita de visão. O teste "SAMU" é uma ferramenta útil para identificar rapidamente os sinais da condição: observe se a pessoa consegue sorrir normalmente, levantar ambos os braços e repetir frases simples.
O diagnóstico preciso é realizado através de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, permitindo determinar a natureza do AVC. Embora a recuperação seja possível com intervenções rápidas e reabilitação multidisciplinar – incluindo fisioterapia e terapia ocupacional – os especialistas concordam que a prevenção é a melhor estratégia contra essa condição devastadora. "Novos tratamentos são promissores, mas nada se compara à eficácia da prevenção", conclui Dr. Doria.