Ministro da Previdência garante que não há evidências de envolvimento de Portal em atividades suspeitas até o momento
Gabriela Thier Publicado em 18/12/2025, às 19h03
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto, resultando na decretação da prisão preventiva do secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal. O gestor é acusado de participar de um esquema que promovia descontos não autorizados em aposentadorias e pensões administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em resposta à situação, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou a exoneração de Portal e reafirmou o compromisso do ministério e do INSS em colaborar com as investigações, além de tomar medidas para recuperar os valores desviados no esquema.
O procurador-federal Felipe Cavalcante e Silva foi designado como o novo secretário-executivo interino do Ministério da Previdência Social.
"Este governo não protege ninguém. A ampla liberdade dos órgãos de controle, como a CGU e a Polícia Federal, demonstra nosso compromisso em investigar todas as esferas do governo, identificando os responsáveis pelas fraudes e buscando a restituição integral dos recursos", afirmou Queiroz.
O ministro também esclareceu que não houve busca e apreensão nas instalações do ministério e que até então não existiam informações que indicassem envolvimento de Adroaldo Portal em atividades suspeitas relacionadas aos descontos indevidos. "Não tínhamos qualquer informação concreta sobre o envolvimento de Adroaldo em atos questionáveis. Ele estava no ministério antes de mim e sempre demonstrou competência nas suas funções como Secretário Nacional do Regime Geral de Previdência Social", acrescentou.
A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal, abrange 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal.
Entre os alvos das buscas está a residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que se manifestou por meio de nota, expressando surpresa pela ação da Polícia Federal. O parlamentar se colocou à disposição para esclarecer qualquer dúvida assim que tiver acesso completo à decisão judicial.
O deputado Duarte Jr (PSB-MA), vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) responsável pela investigação dos descontos indevidos no Congresso Nacional, anunciou que convocará Rocha para prestar esclarecimentos. "Não cabe à CPMI blindar ninguém. Nossa função é ouvir todos que precisam explicar os fatos com total transparência e responsabilidade", declarou o deputado.