O presidente discute a suspensão do decreto do IOF e a necessidade de um ajuste tributário que beneficie os mais pobres
Gabriela Thier Publicado em 02/07/2025, às 19h35
Em uma entrevista concedida à TV Bahia na quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou o compromisso de seu governo em promover um sistema tributário mais equitativo no Brasil. A declaração ocorreu em meio a um debate acirrado entre o Executivo e o Congresso Nacional sobre um decreto presidencial que alterava a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Esta medida foi suspensa pelo parlamento e atualmente está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Advocacia-Geral da União.
Lula enfatizou que a proposta do IOF não implicava em aumento de impostos, mas buscava ajustar a carga tributária para que os setores mais abastados contribuíssem de forma mais significativa, aliviando assim a pressão sobre os trabalhadores. "O governo brasileiro tem o direito de propor o IOF, sim, e não estamos sugerindo aumento de imposto. Estamos realizando um ajuste tributário para que os mais ricos paguem um pouco mais, evitando cortes em áreas essenciais como educação e saúde. Houve pressão por parte de grandes interesses e o fato concreto é que os interesses de poucos prevaleceram", declarou.
Lula mostrou-se aberto ao diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado após seu retorno das reuniões internacionais agendadas, incluindo a Cúpula do Mercosul em Buenos Aires e a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro. No entanto, ele deixou claro seu entendimento sobre as atribuições do Executivo. "Sou grato ao Congresso. Não vejo rivalidade. O Congresso aprovou muitas das nossas propostas. Mas se eu não recorrer ao Judiciário, se não me dirigir à Suprema Corte, não conseguirei governar. O Congresso legisla e eu governarei", enfatizou.
Além disso, Lula criticou as isenções fiscais concedidas e defendeu uma ampla revisão desses benefícios. "Qual foi a proposta que fiz? Que cortássemos 10% linearmente de todos os benefícios fiscais. Você tem ideia do quanto há de isenção e desoneração neste país? São R$ 860 bilhões. Precisamos reduzir onde há excessos, fazendo uma reforma necessária em quem pode contribuir mais", afirmou, reiterando que o foco deve ser nos setores mais favorecidos.
O governo já encaminhou ao Congresso propostas como a revisão do Imposto de Renda, que prevê isenção total para rendimentos até R$5 mil, além de ter avançado na reforma tributária aprovada em 2024, que elimina a cobrança de impostos sobre produtos da cesta básica a partir de 2027.
Por fim, Lula apresentou dados positivos da economia brasileira e comparou momentos históricos de inclusão social no país. Ele destacou a geração de mais de um milhão de empregos formais nos primeiros cinco meses deste ano, um crescimento do PIB superior a 3% e uma queda na taxa cambial como sinais de estabilidade econômica. "Este país teve dois momentos significativos de inclusão social: sob Getúlio Vargas, com a consolidação das leis trabalhistas, e agora em nosso governo", concluiu.