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Inflação no Brasil desacelera em março, mas preços de alimentos disparam

Apesar da estabilização nas tarifas de energia, o aumento nos preços de alimentos e combustíveis pressiona a inflação em março

Apesar da estabilização nas tarifas de energia, o aumento nos preços de alimentos e combustíveis pressiona a inflação em março - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 27/03/2025, às 19h19

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador antecipado da inflação oficial no Brasil, apresentou uma desaceleração em março, marcando 0,64%, comparado ao expressivo 1,23% registrado em fevereiro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e surpreenderam o mercado financeiro, pois ficaram abaixo das expectativas.

Apesar da desaceleração mensal, o acumulado em 12 meses do IPCA-15 subiu para 5,26%, superando a taxa de 4,96% contabilizada até fevereiro. Este é o maior índice desde março de 2023, que foi de 5,36%, e continua acima do teto da meta de inflação estabelecida em 4,5% para o ano de 2025.

A queda na taxa mensal foi impulsionada principalmente pela estabilização nas tarifas de energia elétrica residenciais, que tiveram um leve aumento de apenas 0,43% em março, contrastando com o considerável aumento de 16,33% observado no mês anterior. Consequentemente, o grupo habitação apresentou uma variação bem inferior, com um crescimento de 0,37%, contra os 4,34% da leitura anterior.

Entretanto, a inflação relacionada aos alimentos se intensificou nesse período. O grupo alimentação e bebidas registrou uma alta significativa de 1,09% em março, comparado ao aumento de 0,61% no mês anterior. Esse segmento foi o principal responsável pela elevação do IPCA-15 deste mês, contribuindo com 0,24 ponto percentual para a taxa geral. Entre os produtos que mais impactaram essa alta estão os ovos (com uma impressionante alta de 19,44%), tomate (12,57%), café moído (8,53%) e frutas (1,96%). Em contraste, alguns itens como arroz experimentaram uma diminuição nos preços (-1,6%).

O setor de transportes também exerceu pressão sobre a inflação em março, apresentando um aumento de 0,92%, superior ao incremento de 0,44% observado em fevereiro. O aumento nos combustíveis foi notável com um avanço geral de 1,88%, sendo que os preços do óleo diesel aumentaram em 2,77%, etanol em 2,17% e gasolina em 1,83%. A gasolina sozinha contribuiu com 0,1 ponto percentual do IPCA-15 deste mês.

Por ser divulgado anteriormente ao índice oficial da inflação (IPCA), o IPCA-15 serve como um importante indicativo das tendências inflacionárias futuras. O resultado final referente ao mês de março será publicado pelo IBGE no dia 11 de abril. A elevação dos preços dos alimentos tem gerado preocupações tanto entre consumidores quanto autoridades governamentais. Por exemplo, o preço dos ovos já acumula um aumento de 25,88% neste ano devido à alta nos custos do milho e à demanda crescente durante a Quaresma.

Em resposta a essa situação inflacionária nos alimentos, o governo federal está implementando medidas como a isenção tributária para importação de determinados produtos. Contudo, analistas acreditam que tais ações têm um impacto limitado. O Banco Central permanece atento aos índices inflacionários com o intuito de ajustar a taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,25% ao ano. Expectativas do mercado financeiro indicam que essa taxa pode alcançar até 15% até o final de 2025 como parte dos esforços para controlar a inflação e estabilizar as expectativas econômicas nos próximos meses.

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